«NOW» e agora?
Depois de anos de espectáculo no «mercado», a Cofina, um dos grupos económico-mediáticos dominantes – Correio da Manhã, Sábado, Record, CMTV (5% de share) –, em conflito de compra, venda ou fusão com a Media Capital – TVI (14.4%), CNN, (3%) –, consumou-se a compra, por quadros da empresa, com «apoio bancário», de Ronaldo e investidores árabes, e a mudança de nome de Cofina para Media Livre.
A Media Livre, com a «saúde financeira» que Carlos Rodrigues, Director Editorial, atribui a «gestão criteriosa» e «bom senso», porque «não há crise dos media», mas sim crise de gestão de outros grupos, avança com novos negócios: lançamento de um canal de televisão, generalista, de notícias «em cima da hora», o News NOW, e compra de rádios, SBSR (ex-Nostalgia) e Rádio Festival.
O NOW é um novo canal que, neste panorama televisivo, nos coloca algumas questões – terá telespectadores, diferenciação e valor comercial para se afirmar? A Media Livre responde que sim e enumera as suas propostas, mais «qualidade de informação», menos futebol, «sem fogo de artifício», mais elegância (!), bons conteúdos e comentadores que sejam líderes de opinião.
Dos conteúdos, o que se conhece é a parceria com a Euronews, uma televisão multilingue, activa para dezenas de países e milhões de telespectadores, de propaganda da UE e da ultra-direita, propriedade (por 150 milhões!) do Grupo Alpac, de testas de ferro de interesses húngaros e outros, que em Portugal detêm o Nascer do Sol.
Dos «comentadores de elite», conhece-se A. Costa, R. Rio, S. Lopes, F. Medina, todos do «bloco central» de interesses, onde nem o «optimista» destoa com as suas «boas realidades», todos em campanha, bem paga, para o futuro e em que alguns acumulam a pertença ao «Conselho Estratégico» do NOW.
À partida não há novidades que permitam prever um grande sucesso do NOW. Será, tudo o indica, só mais uma televisão ao serviço dos grandes interesses, aliás, agora, a TVI também prepara um novo canal. O que preocupa os donos da NOW nada tem a ver com informação, notícias ou jornalismo, mas sim com lucros, dividendos, negociatas e exploração, trata-se de uma operação para realizar capitais a médio prazo. Até lá, fará todos os favores ao grande capital.
A luta continua agora, pela liberdade de imprensa e informação.