Venezuela acusa EUA de ameaçar paz regional

O governo venezuelano alertou para a «ameaça à paz regional» que representam as recentes manobras militares dos EUA na Guiana. A Venezuela tem denunciado o aumento da presença norte-americana na região desde a descoberta de petróleo numa zona historicamente disputada por Caracas e Georgetown.

Caracas acusa Washington de instalar bases militares na Guiana

O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, afirmou que já tinha advertido para a ameaça à paz regional representada pela presença no mar das Caraíbas do porta-aviões USS George Washington.

«Agora anunciam que aviões F-18 vão sobrevoar Georgetown e arredores», escreveu o responsável na rede social X, sublinhando que a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) «rejeita contundentemente estas reiteradas provocações do Comando Sul, auspiciadas pelo governo da Guiana, que assumiu o papel de nova colónia norte-americana». A acrescentou que o Sistema de Defesa Aeroespacial Integral do seu país permanece vigilante face a «qualquer tentativa de violação do espaço geográfico venezuelano», incluindo o disputado território da Guayana Esequiba.

Um comunicado da embaixada dos EUA na Guiana, no dia 9, informava que aviões da marinha de guerra norte-americana, pertencentes ao USS George Washington, sobrevoariam nessa mesma tarde a capital do país, Georgetown, e cercanias, o que veio a acontecer.

Esta manobra, parte da estratégia de Washington de crescente militarização da região, ocorreu menos de 24 horas depois do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, voltar a chamar a atenção para os riscos da presença dos EUA e denunciar a instalação de bases militares norte-americanas no território da Guayana Esequiba, que Caracas reclama desde o século XIX como seu e de que a Grã-Bretanha se apropriou quando a Guiana era uma colónia.

Em declarações à imprensa, Maduro avisou que a FANB está «preparada para qualquer cenário» perante a existência de 26 instalações militares dos EUA – 12 pertencentes à CIA e 14 ao Comando Sul – na Guiana. E reiterou as críticas ao presidente da Guiana, Mohamed Irfaan Ali, acusando-o de entregar o controlo do país não só ao Comando Sul e à CIA mas também à companhia ExxonMobil, responsável pela exploração dos recursos petrolíferos descobertos na região há quase uma década.

 



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