CDU denuncia estagnação e retrocesso no concelho de Beja
A gestão «inócua» do PS na Câmara Municipal de Beja (CMB) é «incapaz de responder aos problemas, às dificuldades, mas também às oportunidades que a cidade e o concelho apresentam», acusa a CDU.
Seis anos de marasmo e incapacidade
Numa nota de imprensa intitulada «Seis anos de gestão do PS na CMB marcados pela ausência de respostas aos problemas dos trabalhadores e da população do concelho», de 30 de Outubro, os vereadores da CDU [Vítor Pivado, Fátima Estanque e Rui Eugénio] afirmam que é necessário «construir uma política alternativa», que inverta o actual rumo, «com os trabalhadores, as populações, os agentes culturais e os micro, pequenos e médios empresários».
Só desta forma se poderá alterar «o agravamento de áreas funcionais ligadas a serviços públicos», destacando-se, entre outras, a degradação da limpeza urbana – que o executivo PS quer entregar a privados, quando devia contratar mais trabalhadores – e do estado das vias e caminhos.
Também os agentes culturais do concelho são «vítimas da total ausência de uma política cultural coerente, com uma desconexa programação, feita a reboque de gostos pessoais de alguns decisores, e que se tem revelado incapaz de alavancar uma dinâmica cultural», acusam os eleitos da CDU, recordando o «humilhante resultado alcançado» há um ano «pela candidatura apresentada pelo município para financiamento público da programação do Pax Julia – Teatro Municipal, classificada a nível nacional como uma das piores».
Entretanto, este ano o município não apresentou a mesma candidatura. «Lamentamos que os eleitos do PS não tenham conseguido aglutinar vontades para construir, em parceria com os agentes culturais do concelho, uma candidatura forte que pudesse fomentar uma verdadeira política cultural para o concelho», acrescentam os vereadores.
Incapacidade
Prejudicados por esta política são, ainda, os comerciantes da baixa da cidade, «despovoada de gente, face à incapacidade de criação de dinâmicas que atraiam para este centro mais visitantes» e os agentes económicos do concelho, «que não encontram no executivo PS um veículo catalisador, junto do Governo e dos restantes organismos públicos, das suas dinâmicas e necessidades, sendo hoje, por incapacidade ou por tacticismo partidário, irrelevante a posição dos autarcas do PS de Beja, até mesmo quando comparada com outros concelhos do distrito de menor dimensão», acusam os eleitos comunistas.
Rumo de desinvestimento
Os vereadores do PCP na Câmara de Beja alertam para «financiamento claramente insuficiente» das freguesias e uniões de freguesias do concelho, o que tem criado «dificuldades» no funcionamento destes órgãos autárquicos de proximidade. A isto junta-se a «ausência de respostas» por parte do município a questões colocadas nos últimos anos.
«Enquanto o concelho definha, o PS na CMB é responsável pela perda de milhões de euros de financiamentos importantes, como os referentes à recuperação e enquadramento do Fórum Romano ou à zona de Expansão Empresarial», acusam os comunistas.
Deste executivo também não se ouviu uma palavra «aos mais de 100 mil utentes sem médico de família» no concelho, sobre o «início da segunda fase do Hospital de Beja», a «degradação das estradas nacionais IP8 e IP2», a «electrificação da linha férrea» e a «rentabilização e aproveitamento do Aeroporto de Beja», acusam os eleitos, concluindo: «O PS em Beja não ousa afrontar o rumo de desinvestimento que o actual Governo promove».
Habitação
Na Assembleia Municipal de Beja, o PS chumbou uma moção, apresentada pela CDU, que visava exigir, junto do Governo, soluções para o problema de acesso e direito à habitação, «fruto das elevadíssimas taxas de juro praticadas pelos bancos». «O programa da Estratégia Local de Habitação está longe de resolver o problema de fundo e de ser potenciado de forma adequada à realidade do concelho», referem os vereadores.