Enfermeiros dos hospitais privados fazem greve amanhã
Apesar dos lucros obtidos e do aumento da produtividade, os grupos da hospitalização privada não valorizaram de forma justa os enfermeiros, mas estes recusam dar a negociação por terminada.
Mesmo com lucros, só a luta demoverá os patrões dos hospitais
Para amanhã, dia 28, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses decretou greve, das 8 às 24 horas, em todas as instituições privadas de saúde, abrangidas pelo contrato colectivo que o SEP/CGTP-IN celebrou com a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP). O sindicato apelou a que enfermeiros em luta se reúnam junto do Hospital Lusíadas, em Lisboa, pelas 11 horas, a acompanhar uma conferência de imprensa que para ali convocou.
Os enfermeiros da hospitalização privada, como se refere na nota em que o SEP confirmou a realização da greve, continuam a exigir a sua valorização, que se deve concretizar na negociação de: aumentos salariais para todos os profissionais; compensação pelo horário de trabalho desfasado, aplicável aos enfermeiros em horário de trabalho por turnos que inclua o período nocturno; aumento da compensação do valor das designadas horas penosas (noites, fins-de-semana e feriados).
O SEP assinalou que a luta dos enfermeiros «determinou alguns avanços» por parte dos grupos privados e da APHP. No entanto, as propostas patronais colocadas na última reunião, a 14 de Junho, «não atingiram os patamares mínimos apresentados pelo SEP, mediante prévia discussão com os enfermeiros».
Nessa altura, a associação patronal declarou que aceitaria prosseguir negociações a partir de Setembro, mas relativamente à actualização de 2024.
Como explicou o sindicato, os aumentos salariais propostos pela APHP excluíam os enfermeiros com remunerações diferentes das da tabela contratual (os quais são «a esmagadora maioria»). Por outro lado, a compensação de seis por cento, para quem labora em horários desfasados entre as 7 e as 23 horas, «não incluía os enfermeiros que trabalham por turnos, com período nocturno», como os que asseguram serviços de internamento. Por fim, «o valor das horas penosas continua muito insuficiente e a proposta de aumento é só para ser aplicada em 2024».
Pela valorização do trabalho dos enfermeiros na hospitalização privada, teve lugar a 16 de Março uma greve de âmbito nacional, com grande adesão, durante a qual se realizaram concentrações de centenas de profissionais, de diferentes instituições, no exterior dos hospitais CUF Descobertas (Lisboa), CUF Viseu e Lusíadas Porto.