Forças israelitas intensificam ataques contra populações palestinianas

Forças de se­gu­rança e co­lonos is­ra­e­litas con­ti­nuam os ata­ques contra a po­pu­lação pa­les­ti­niana na Cis­jor­dânia ocu­pada, apesar da vaga de crí­ticas in­ter­na­ci­o­nais con­de­nando tais in­cur­sões.

A re­pressão is­ra­e­lita tem-se in­ten­si­fi­cado nos ter­ri­tó­rios ocu­pados

Na se­gunda-feira, 26, noite alta, mi­li­tares is­ra­e­litas as­sal­taram a al­deia de Rum­mana, a oeste de Jenin, uma das ci­dades mais cas­ti­gadas pelas ope­ra­ções das forças ocu­pantes desde os prin­cí­pios do ano pas­sado. De­zenas de pes­soas so­freram pro­blemas res­pi­ra­tó­rios em re­sul­tado das gra­nadas de gás la­cri­mo­géneo e de ator­do­a­mento lan­çadas pelos sol­dados de Te­la­vive.

As tropas ocu­pantes também en­traram nos po­vo­ados vi­zi­nhos de Jal­boun e Faqqu’a, pre­cisou a agência pa­les­ti­niana de no­tí­cias Wafa. Ao mesmo tempo, de­zenas de co­lonos is­ra­e­litas da­ni­fi­caram nu­me­rosos au­to­mó­veis per­ten­centes a ci­da­dãos pa­les­ti­ni­anos, à en­trada da lo­ca­li­dade de Ya­souf. Além disso, re­gis­taram-se actos de van­da­lismo de grupos de co­lonos em ou­tras zonas da Margem Oci­dental.

O go­verno pa­les­ti­niano res­pon­sa­bi­lizou o pri­meiro-mi­nistro is­ra­e­lita, Ben­jamim Ne­tanyahu, pelo in­ci­ta­mento de vá­rios mem­bros do seu ga­bi­nete a que tais crimes sejam co­me­tidos. Tais vi­o­la­ções – de­nuncia um co­mu­ni­cado das au­to­ri­dades pa­les­ti­ni­anas, em Ra­mala – con­firmam a «po­lí­tica adop­tada pelo go­verno de ex­trema-di­reita de Ne­tanyahu e são de igual modo um re­flexo di­recto das cam­pa­nhas de in­ci­ta­mento ao as­sas­si­nato de pa­les­ti­ni­anos, em es­pe­cial por parte de ex­tre­mistas ra­cistas».

A co­li­gação go­ver­nante is­ra­e­lita sa­bota sis­te­ma­ti­ca­mente qual­quer es­forço re­gi­onal ou in­ter­na­ci­onal para rei­ni­ciar o diá­logo com o ob­jec­tivo de re­solver o con­flito – diz o co­mu­ni­cado.

O mi­nis­tério dos Ne­gó­cios Es­tran­geiros pa­les­ti­niano re­jeitou também de­cla­ra­ções de mi­nis­tros da ex­trema-di­reita de Te­la­vive. Clas­si­ficou de «aber­rantes e ge­no­cidas» as afir­ma­ções de Itamar Ben-Gvir, mi­nistro da Se­gu­rança Na­ci­onal, que apelou ao lan­ça­mento de uma ope­ração mi­litar em grande es­cala, na Cis­jor­dânia, para «matar mi­lhares de ter­ro­ristas», como re­fere a po­pu­lação pa­les­ti­niana que sofre e re­siste à cri­mi­nosa ocu­pação e re­pressão de Is­rael. O re­fe­rido membro do go­verno is­ra­e­lita foi, no pas­sado, acu­sado mais de meia cen­tena de vezes e con­de­nado oito vezes por dis­túr­bios, van­da­lismo e in­ci­tação ao ra­cismo.

Para os res­pon­sá­veis pa­les­ti­ni­anos, esses co­men­tá­rios «re­flectem o ab­jecto des­prezo de Is­rael pelas vidas dos pa­les­ti­ni­anos e a cul­tura ge­ne­ra­li­zada de im­pu­ni­dade re­la­tiva ao res­peito das vidas e dos di­reitos dos pa­les­ti­ni­anos». Tais im­pu­ni­dade e ten­dência cri­mi­nosa, in­sistem, são alen­tadas e re­for­çadas pelo fra­casso da «co­mu­ni­dade in­ter­na­ci­onal» em res­pon­sa­bi­lizar Is­rael pelas suas sis­te­má­ticas e ge­ne­ra­li­zadas vi­o­la­ções do di­reito in­ter­na­ci­onal.

 

Ata­ques aé­reos na re­gião de Jenin

O exér­cito is­ra­e­lita matou três pa­les­ti­ni­anos num ataque aéreo a norte da ci­dade cis­jor­dana de Jenin, ocor­rido no dia 21. Na se­mana pas­sada, per­deram a vida ou­tros seis pa­les­ti­ni­anos em re­sul­tado de um ataque is­ra­e­lita.

Se­gundo fontes pa­les­ti­ni­anas, o ataque aéreo na zona de Jenin foi a pri­meira acção deste tipo desde a cha­mada Se­gunda In­ti­fada (2000-2005).

O ataque foi des­fe­rido por um drone is­ra­e­lita, que dis­parou um míssil contra um au­to­móvel em que se­guiam três pes­soas, que per­deram a vida. Foram iden­ti­fi­cados como Mohammed Bashar Uweis, de 28 anos, Suhayb Adnan al-Ghoul, de 27 anos, e Ashraf Murad Saadi, de 17 anos, acu­sados pos­te­ri­or­mente por Te­la­vive de per­ten­cerem a or­ga­ni­za­ções da re­sis­tência pa­les­ti­niana.

Dois dias antes, um grande con­tin­gente de tropas is­ra­e­litas as­saltou Jenin e o seu vi­zinho campo de re­fu­gi­ados, ma­tando pelo menos seis pes­soas. Nessa ope­ração, Is­rael uti­lizou he­li­cóp­teros para apoiar as suas forças no ter­reno, o que acon­tece na Cis­jor­dânia pela pri­meira vez em duas dé­cadas.

 



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