Privatizar a Efacec é abdicar da defesa de uma empresa estratégica para o País

O PCP voltou a manifestar a sua oposição à privatização da Efacec, acusando o Governo de abdicar de uma perspectiva de defesa dos interesses nacionais e de preferir entregar ao estrangeiro uma «empresa estratégica na indústria nacional».

Lucros privados, prejuízos públicos

«Entregar esta empresa a um fundo de investimento, como o Governo se prepara para fazer, não exclui a possibilidade de esse fundo fazer valer a sua posição para, no futuro, mandar fechar a empresa para eliminar concorrência a favor de outras grandes empresas da área», alertou o deputado comunista Duarte Alves, lembrando que a Efacec é, na sua área, «um poderoso concorrente das maiores tecnológicas», pelo que estas têm todo o interesse nesse objectivo.

O parlamentar do PCP falava em recente debate suscitado pelo PSD, no decurso do qual ficou evidente que a diferença que separa este partido das opções do Governo PS nada tem que ver com a privatização desta empresa nacional da mais avançada tecnologia – e esta é a questão que verdadeiramente importa -, mas apenas com o seu timing, já que desejava era que o processo fosse mais rápido.

«O Governo PS anunciou em 2020 uma “operação curta”, e o PSD vem cobrar a prometida rapidez. Estão todos de acordo no essencial: o Estado existe é para pagar os desmandos da gestão privada; quando é para dar lucro, privatize-se», criticou Duarte Alves, inconformado por estar a assistir-se de novo ao mesmo filme: «lucros privados, prejuízos públicos», ou seja, uma privatização sem garantias de salvaguarda de uma empresa estratégica, nem dos seus 2500 postos de trabalho altamente qualificados.

Paradigmático, a este propósito, é o caso da Sorefame, «que depois de vendida, deu jeito aos accionistas privados acabar com ela, porque competia com as melhores multinacionais do ramo», lembrou o deputado do PCP, lamentando que, hoje, novamente, seja o Governo PS a assumir a «mesma abdicação nacional».

As razões pelas quais o PCP defende que a Eface deve permanecer sob controlo público foram ainda bem explicitadas, com Duarte Alves a salientar que se trata de uma empresa que desenvolve soluções de alta tecnologia para a geração, transmissão e distribuição de energia, que «coloca Portugal, em certos domínios, na rota da mais avançada tecnologia, ombreando com gigantes da tecnologia, com elevado reconhecimento da sua competitividade e excelência em muitos países».



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