Mais de 80 intervenções militares britânicas em 47 países desde 1945
O Reino Unido utilizou mais de 80 vezes as suas forças armadas para intervir em 47 países, desde 1945, em brutais guerras coloniais, operações secretas e apoioa governos «amigos», quase sempre ao lado – ou ao serviço – dos EUA.
Após a II Guerra Mundial, o Reino Unido tem cometido agressões contra dezenas de países
Após a II Guerra Mundial, o poderio militar britânico foi usado com grande frequência. O sítio web Declassified UK documentou 83 intervenções pelas forças armadas do Reino Unido desde 1945, em 47 países. As mais importantes intervenções britânicas foram invasões abertas ou tentativas para derrubar governos, como aconteceu na Guiana Britânica (hoje Guiana) em 1953, no Egipto nos anos 50, no Iraque em 2003 e na Líbia em 2011, sempre ao lado dos EUA.
As guerras coloniais nas décadas de 1950 e 1960 – no Quénia, na Malásia, em Áden (Iémen) e em Chipre – envolveram o emprego generalizado de tortura e, muitas vezes, operações para expulsar populações locais.
Na Malásia, entre 1948 e 1960, as forças britânicas encerraram centenas de milhares de pessoas em campos fortificados. A brutalidade na repressão da revolta dos Mau-Mau, no Quénia, nos anos 50, resultou em centenas de milhares de vítimas.
Dominação colonial
Este padrão de intervenções armadas – frequentes ao longo do século XIX pelo império britânico – foi reposto em prática no pós-guerra logo após a derrota do nazi-fascismo.
As intervenções de Londres procuraram esmagar os movimentos populares em luta contra o colonialismo e o imperialismo. Em 1945-46, as forças britânicas intervieram no Vietname e na Indonésia para restaurar o controlo colonial da França e da Holanda.
O emprego da força militar continuou, rotineiramente, ao longo de décadas, em especial para apoiar regimes «amigos». Tropas do Reino Unido foram enviadas para Omã (1957), Niassalândia, hoje Malawi (1959), Brunei (1962), Anguila (1969) e Jordânia (1970) para ajudar governos pró-britânicos ameaçados por movimentos populares ou independentistas.
Guerras encobertas
Sucessivos governos do Reino Unido puseram em prática operações militares secretas no estrangeiro. Ao longo do tempo, Londres tornou essas intervenções cada vez menos transparentes.
No final dos anos 40, por exemplo, apoiou a oposição na Albânia e agiu para impedir a influência soviética nos países bálticos. As guerras encobertas prosseguiram nas décadas de 1950 na Indonésia e de 1960 no Iémen, com dezenas de milhares de vítimas.
Nos anos 80, o governo de Margaret Thatcher promoveu a maior operação secreta britânica pós-II Guerra Mundial, apoiando as forças anti-soviéticas no Afeganistão. Financiou-as, forneceu-lhes armas e treinou-as.
As operações militares encobertas britânicas proliferaram outra vez devido às impopulares guerras de agressão contra o Iraque e o Afeganistão. Assim, entre 2011 e 2013, Londres lançou pelo menos quatro guerras secretas envolvendo forças especiais no terreno, na Líbia, Síria, Somália e Mali – até hoje.
Intervenções abertas
As mais cruéis intervenções britânicas no estrangeiro realizaram-se em conjunto com os EUA – desde os bombardeamentos do Vietname, nos anos 60, até à ocupação do Afeganistão, depois de 2001, passando por episódios como a expulsão das populações do arquipélago de Chagos, de 1968 a 1973, para abrir caminho a mais uma base militar norte-americana no Índico.
Outro exemplo da ferocidade militar anglo-americana foram os bombardeamentos no Iraque, a partir de 1991 e durante uma década, desde a Guerra do Golfo até à invasão em 2003, acções essas que destruíram muito da infraestrutura civil do país.
Em várias ocasiões, o Reino Unido enviou tropas para países aliados para prevenir «ameaças», como ocorreu em 1994 no Kuwait ou, antes disso, em 1949, na Jordânia.
Na Guerra das Malvinas (Falklands, para os britânicos), em 1982, tropas britânicas derrotaram as forças da Argentina nas ilhas, mantendo até hoje a ocupação do arquipélago, junto da costa argentina, como uma «relíquia dos tempos coloniais».
Na longa mas incompleta lista de intervenções militares do Reino Unido inclui-se ainda o envolvimento de Londres na Guerra da Coreia, no início da década de 1950, na agressão dos EUA e da NATO à Jugoslávia, em 1998-99, e na guerra na Ucrânia dos nossos dias.
A maior parte das intervenções militares britânicas, concluiu-se, visaram «manter o controlo colonial ou pós-colonial sobre outros Estados e sobre recursos fundamentais, defender o prestígio e o estatuto de grande potência e demonstrar aos EUA – o seu principal aliado – que Londres está preparado, com Washington, para tentar continuar a governar o mundo pela força».