China critica pacto sobre submarinos nucleares entre EUA, Reino Unido e Austrália
O representante da China junto da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Li Song, criticou, durante uma reunião daquele organismo, em Viena, no dia 8, o pacto sobre submarinos nucleares da aliança AUKUS.
Li destacou que, no essencial, esse convénio prevê transferir toneladas de urânio altamente enriquecido apto para armas, dos Estados Unidos da América (EUA) e do Reino Unido, dois países com armas nucleares, para a Austrália, aliado militar sem tradição nuclear.
No quadro da aliança tripartida AUKUS, estabelecida entre os governos norte-americano, britânico e australiano e que foi tornada pública em Setembro de 2021, a Austrália poderá vir a construir submarinos de propulsão nuclear com tecnologia proporcionada pelos EUA e Reino Unido.
Os países desse pacto levaram a cabo cooperação militar estratégica com «propósitos geopolíticos amplamente conhecidos», o que violou sem precedentes os princípios e as práticas do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e minou gravemente o regime internacional de não proliferação e o sistema de salvaguardas da AIEA, sublinhou Li.
Segundo informa a Xinhua, a reunião da semana passada, na capital austríaca, foi a oitava ocasião consecutiva em que a AIEA abordou o tema da AUKUS através de discussões intergovernamentais, sob proposta da China.
O representante chinês assinalou que a questão dos submarinos da AUKUS e os esforços dos três países para politizar o tema na AIEA e polarizar os Estados membros reflectem a sua mentalidade de Guerra Fria e de blocos de confrontação. E denunciou que Washington, Londres e Camberra visam forçar a AIEA a apoiar a cooperação relacionada com os submarinos nucleares.
A China instou os países da aliança AUKUS a abordar as preocupações da comunidade internacional com acções concretas, cumprir as suas obrigações de não proliferação do nuclear e manter uma comunicação franca e transparente com outras partes numa base de igualdade e respeito mútuo.