Manifestação exigiu estabilidade na ciência
Mais de mil trabalhadores científicos manifestaram-se anteontem, 16, em Lisboa, exigindo do Governo uma resposta «efectiva e imediata» que ponha fim à precarização dos vínculos laborais naquele que é um sector estratégico para o País.
A convocatória dirigiu-se a todos os trabalhadores científicos, independentemente do seu tipo de vínculo laboral, da sua função ou do seu grau académico, e a resposta foi massiva: investigadores com contrato, bolsa ou vínculo pontual, falsos docentes convidados, gestores e comunicadores de ciência e técnicos de investigação, vindos de todo o País, concentraram-se na Cidade Universitária e rumaram ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Para a Fenprof, uma das organizadoras, esta foi a maior manifestação de sempre do sector da Ciência em Portugal.
O protesto centrou-se na exigência da estabilidade dos vínculos laborais e as reivindicações ali expressas – em cartazes, faixas e palavras de ordem – revelaram a multiplicidade de problemas que hoje afectam a investigação científica e o Ensino Superior: «a precariedade é que mata a ciência»; «valorizar as carreiras, combater a precariedade, democratizar as instituições»; «+ concursos, - precariedade»; «contratos permanentes já!»; RJIES [Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior] com democracia é uma fantasia»; «sobra mês à minha bolsa»; «15 anos, cinco bolsas, um contrato, zero carreira» – foram apenas algumas delas.
Na convocatória da manifestação, assumida por diversas entidades (Fenprof, Associação de Bolseiros de Investigação Científica/ ABIC, Organização dos Trabalhadores Científicos e núcleos de bolseiros e investigadores), defendia-se a manutenção do financiamento actual para o emprego científico de doutorados e a revogação do Estatuto do Bolseiro de Investigação, substituindo-se todas as bolsas por contratos de trabalho. A criação da carreira de investigação científica, a contratação permanente dos trabalhadores que desempenham funções técnicas ou de gestão e dos docentes convidados, o fim do subfinanciamento crónico das instituições de Ensino Superior e Ciência e a revisão profunda do RJIES foram outras reivindicações.
O deputado eleito pelas listas da CDU no círculo eleitoral do Porto, Manuel Loff, dirigiu-se aos presentes reafirmando as propostas do PCP para o sector, no essencial coincidentes com as reivindicações ali reafirmadas.