É com a luta e o reforço do PCP que lá vamos!

João Dias Coelho (Membro da Comissão Política)

O PCP é uma força pro­fun­da­mente en­rai­zada no povo

Corre tinta e muito pa­la­vreado pro­du­zido pelos fa­ze­dores da opi­nião pu­bli­cada e con­di­ci­o­na­dora da opi­nião pú­blica ao ser­viço do grande ca­pital, que, an­dando na es­puma do es­sen­cial, foge dos pro­blemas reais como o «diabo da cruz», pro­mo­vendo ideias, prin­cí­pios e va­lores con­trá­rios aos de Abril. Porém, pese em­bora o es­forço da di­reita, estes con­ti­nuam a mo­bi­lizar mi­lhares de por­tu­gueses – entre os quais se des­tacam os jo­vens que, tendo nas­cido no pós-25 de Abril, nele se re­co­nhecem e fazem dos ideais e di­reitos re­sul­tantes desse acto li­ber­tador do povo por­tu­guês, e con­sa­grados na Cons­ti­tuição da Re­pú­blica, pro­jectos de luta pre­sente e fu­tura.

Sendo certo que, para a di­reita e a co­mu­ni­cação so­cial por si do­mi­nada, o que im­porta são os «casos» mais ou menos me­diá­ticos e a pro­jecção da de­gra­dação dos ser­viços pú­blicos (como se não fossem eles - PS, PSD, CDS, Chega e IL -, a causa e os cau­sa­dores da si­tu­ação), pro­movem até à exaustão os «casos» e «ca­si­nhos», dos quais se ali­mentam e ali­mentam o pró­prio sis­tema ca­pi­ta­lista que querem per­pe­tuar.

O pro­cesso de de­gra­dação do Ser­viço Na­ci­onal de Saúde, parte in­te­grante do for­tís­simo ataque que lhe é mo­vido quer por PS, PSD e CDS como por Chega e IL, tem anos: uns e ou­tros leram na mesma car­tilha do ne­o­li­be­ra­lismo, há muito ela­bo­rada e apa­dri­nhada por di­versos po­lí­ticos de di­reita, como Ca­vaco Silva, que tem como fim re­servar ao Es­tado o papel de pa­gador e ao pri­vado os be­ne­fí­cios eco­nó­micos e fi­nan­ceiros de todos os ser­viços que possam ser lu­cra­tivos.

Na ver­dade, ao longo dos úl­timos 45 anos al­guns dos prin­ci­pais di­ri­gentes dos par­tidos da po­lí­tica de di­reita, «ve­lhos» ou «novos», não dizem o que pensam e, quando no poder, fazem a sua ver­da­deira po­lí­tica em rup­tura com a Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa (CRP); agiram e agem sempre contra os in­te­resses dos tra­ba­lha­dores e do povo, vi­o­lando a CRP e aten­tando contra di­reitos nela con­sa­grados.

Com ver­dade se pode afirmar que são eles e não ou­tros, em con­so­nância com os in­te­resses do­mi­nantes do grande ca­pital, os pro­ta­go­nistas do tão jus­ta­mente cri­ti­cado am­bi­ente de cor­rupção.

Como disse, há anos, um co­nhe­cido e his­tó­rico di­ri­gente de di­reita, esta «usa a tác­tica do bul­dogue, mede a presa, de­pois dá uma den­ta­dinha e se o mor­dido deixa abo­canha-o». É assim que o ca­pital age junto dos po­lí­ticos da po­lí­tica de di­reita que do­minam o poder, aca­bando por, ob­jec­ti­va­mente, o do­minar. Ou seja, os pro­ta­go­nistas da po­lí­tica de di­reita, ainda que tentem, não podem passar pelos in­ter­valos da chuva, porque eles são causa e efeito do fe­nó­meno que dá origem aos casos de cor­rupção e de de­gra­dação do pró­prio re­gime de­mo­crá­tico.

 

Luta e al­ter­na­tiva

Sendo um facto que estes casos não deixam de marcar ne­ga­ti­va­mente a vida po­lí­tica na­ci­onal e ocupar, pela pressão me­diá­tica, muitas das nossas mentes, a ver­dade que a di­reita es­conde – pondo a sua ver­dade e re­fu­gi­ando-se na men­tira «ci­en­ti­fi­ca­mente» mon­tada e sus­ten­tada em meias ver­dades – é que a luta so­cial cresce, mi­lhares de ho­mens, mu­lheres e jo­vens que não se con­formam em ter baixos sa­lá­rios, tra­balho pre­cário, de­gra­dação das suas con­di­ções de vida, falta de con­di­ções de acesso a uma ha­bi­tação con­digna, de acesso ao SNS, afas­ta­mento da es­cola pú­blica, di­fi­cul­dades cres­centes de acesso a ou­tros ser­viços pú­blicos, lutam.

Tal como toda a ex­pe­ri­ência his­tó­rica re­cente de­monstra, as mai­o­rias ab­so­lutas – sejam do PS, do PSD ou da con­ju­gação destes com ou­tros par­tidos da po­lí­tica de di­reita – não trou­xeram mais de­mo­cracia, mais di­reitos, me­lhores con­di­ções de vida e, como o PCP afirmou e afirma, a so­lução de mai­oria ab­so­luta do PS, cons­ti­tuindo um revés no ca­minho da con­quista, de­fesa e re­po­sição de di­reitos, aguçou os traços de au­to­ri­ta­rismo de uns e o de­sejo de ou­tros (como PSD, CDS, Chega e IL) de os subs­ti­tuir para pros­se­guirem a po­lí­tica ao ser­viço do grande ca­pital.

Apesar do es­forço que PS, PSD, CDS, Chega e IL – ou seja, o grande ca­pital – fazem para me­no­rizar, ames­qui­nhar, dis­torcer, en­co­brir as po­si­ções do PCP, ven­dendo a ideia de um par­tido em de­clínio, somos uma força pro­fun­da­mente en­rai­zada no povo e por­ta­dora de um pro­jecto de fu­turo.

Não há al­ter­na­tiva à po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda que o PCP de­fende e que tem na Cons­ti­tuição da Re­pú­blica a sua re­fe­rência, en­con­trando na luta dos tra­ba­lha­dores e do povo os prin­ci­pais pro­ta­go­nistas da sua cons­trução. O PCP, a CDU e todas as forças de­mo­crá­ticas e pa­trió­ticas são, no plano po­lí­tico, as fontes mais fiéis à con­cre­ti­zação de tal ob­jec­tivo, daí ser da má­xima im­por­tância o seu re­forço em todas as di­men­sões, que aca­bará mais cedo que tarde por a impor.

 



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