Governo deveria mudar atitude após greve massiva dos médicos

A FNAM, «empenhada na negociação», espera «uma mudança de atitude do Ministério da Saúde, para resolver os problemas dos médicos e do SNS», como afirmou numa saudação, no final da greve de dias 8 e 9.

A valorização do trabalho médico contribui para a defesa do SNS

Ao saudar «todos os médicos, pela grande adesão à greve», a Federação Nacional dos Médicos destacou também a importância da concentração, realizada dia 8, em Lisboa, frente ao Ministério da Saúde.

Num balanço da luta, a FNAM informou que, «nos cuidados de saúde primários, em ambos os dias, 85 a 95 por cento dos médicos de família fizeram greve, com muitas unidades em que a adesão chegou a 100 por cento». «Nos hospitais, muitos garantiram exclusivamente serviços mínimos e, na maior parte dos blocos operatórios, a adesão à greve foi de 80 por cento», sendo que o índice «aumentou do primeiro para o segundo dia».

Quanto aos próximos tempos, a FNAM «continua empenhada na negociação e espera ver uma mudança de atitude do Ministério da Saúde, para resolver os problemas dos médicos e do SNS». No entanto, «caso o Governo opte por continuar indiferente ao descontentamento dos médicos – que, unidos, mostraram a sua força –, a FNAM estará disponível para avançar com as formas de luta necessárias».

A renegociação da carreira médica e respectiva grelha salarial, para contemplar horário-base de 35 horas (com actualização remuneratória), dedicação exclusiva opcional e majorada e consideração do Internato Médico como primeiro grau da Carreira Médica, surge, no pré-aviso de greve, à cabeça de uma lista de 22 pontos reivindicativos que justificaram a convocação da luta.

 

PCP reafirmou solidariedade

Uma delegação do PCP, integrando o Secretário-geral, esteve na concentração, declarando solidariedade com a luta dos médicos, «gente que é determinante para o Serviço Nacional de Saúde, gente que veste a camisola do SNS, que garante a resposta aos utentes», «com uma dedicação extraordinária», como disse Paulo Raimundo.

Em declarações à comunicação social, acentuou que os médicos merecem «respeito, respeito pelas suas categorias», e «salários, porque é com isso também que pagam as contas».

O dirigente comunista realçou, como «elemento determinante» e «estruturante», a «forma emotiva, determinada», como os médicos compareceram na concentração, «também na defesa do Serviço Nacional de Saúde». «Com outros profissionais, enfermeiros, auxiliares», os médicos «são a garantia do Serviço Nacional de Saúde», frisou Paulo Raimundo, enaltecendo a «bela demonstração de força e determinação, na luta justa pelos seus direitos, pelos seus anseios, mas também pela defesa do SNS».

Da delegação fizeram também parte Jorge Pires (da Comissão Política do Comité Central do PCP), Bernardino Soares (do Comité Central) e João Dias (deputado).

 



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