Um Partido empenhado em transformar o futuro assinalado no Porto
O PCP esteve, está e continuará a estar ao lado daqueles que lutam contra injustiças e por melhores condições de vida – foi a principal ideia sublinhada pelo Secretário-geral do PCP durante o comício do 102.º aniversário do Partido que se realizou, no dia 12, na Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto.
«102 anos de luta e intervenção sobre a realidade concreta da vida de todos os dias»
Tal como em Lisboa, no fim-de-semana passado, e no resto do País, também no Porto se assinalou o aniversário do Partido que, desde 1921, nunca arredou pé do lado do povo e dos trabalhadores portugueses. O único que, como referiria Paulo Raimundo ao longo da sua intervenção, «nunca capitulou, não cedeu nem renunciou à luta, apesar de perseguições, prisões, torturas e assassinatos», o que se «entregou com audácia na construção dos caminhos da liberdade», um Partido que, 102 anos depois, tal como sempre, continua «necessário, indispensável e insubstituível» e, acima de tudo, um «Partido comunista que é e vai continuar a ser».
À altura das exigências que se colocam para a celebração do aniversário de um partido como o PCP, estiveram os militantes comunistas da região do Porto. A tarde de domingo no pavilhão da Escola Secundária Carolina Michaëlis foi de casa cheia. Um cartaz onde se lia «continuando a lutar do lado certo da história, parabéns PCP» ganhava particular destaque na sala pontuada de bandeiras vermelhas. Dos jovens nas primeiras filas, aos camaradas que preenchiam as bancadas superiores, as expressões de força e alegria que envergavam nas suas caras enquanto ouviam verdadeiras «músicas de classe», presenteadas pelo grupo Música com Paredes de Vidro, indicava a forte iniciativa que se seguiria.
Apesar de vasta, a mesa que acompanharia o comício formou-se rapidamente. Com Paulo Raimundo, para o palco subiram os dirigentes do executivo da Comissão Regional do Porto da JCP, os membros da Direcção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP, Jaime Toga, da Comissão Política, e Margarida Botelho, do Secretariado.
Interesses de sempre defendidos pelos de sempre
Duas intervenções antecederam a do Secretário-geral. João Luís, da JCP, que abordou os vários problemas vividos pela juventude no distrito, e Alexandra Pinto, pela DORP, que salientou o papel dinamizador dos comunistas nas várias lutas dos trabalhadores da região.
«Injustiças e desigualdades crescentes, são estas as marcas da realidade. Um empobrecimento acelerado em brutal contraste com a vergonhosa acumulação crescente de lucros», começou por observar o Secretário-geral. Segundo o dirigente, mais de três milhões de trabalhadores ganham menos de mil euros brutos por mês, dois milhões de pessoas estão na pobreza, o poder de compra diminui, as condições de vida pioram e os salários e pensões continuam a estar muito aquém das necessidades da população. Enquanto esta realidade se aprofunda, cinco por cento dos mais ricos concentram 42 por cento de toda a riqueza criada no País. Sobre este rumo, PS, PSD, IL e Chega nada têm a dizer. Alinham-se, no entanto, ao lado dos lucros das grandes empresas, ao lado do desmantelamento do SNS, da destruição da TAP, ao lado do agravamento da crise na habitação e da especulação dos preços praticada pela grande distribuição. Para Paulo Raimundo, as opções de classe destes partidos têm ficado à vista nos seus votos negativos às muitas propostas que o PCP tem apresentado na área da habitação ou na contenção da especulação dos preços.
A luta alarga-se
«Crescem as injustiças e as desigualdades, mas também cresce a força daqueles que fazem das injustiças força para lutar. Alarga-se a consciência de que as coisas não podem continuar assim, dos que percebem que são os trabalhadores que criam a riqueza, são eles que põem o País a funcionar, mas que não são reconhecidos nem valorizados. São cada vez mais os que percebem que houve e haverá sempre novos pretextos para intensificar a exploração», salientou Paulo Raimundo. «Há cada vez mais gente a perceber que para lá das encenações, PS, PSD, Chega, IL e CDS assumem as mesmas opções políticas de fundo e estão ao serviço do mesmo comando, os grupos económicos e os seus milhões e milhões de lucros», acrescentou.
Assim, tem-se alargado e diversificado a luta em muitos sectores da sociedade: os trabalhadores nas empresas e fábricas; os profissionais de saúde; professores; estudantes e jovens; reformados; jornalistas; agricultores; utentes de serviços públicos; a população em torno da habitação e contra o custo de vida; e as mulheres, que ainda no dia anterior ao comício se tinham manifestado em Lisboa (ver páginas 4 e 5). Já no próximo sábado, dia 18, os trabalhadores sairão de novo à rua, em Lisboa, numa acção convocada pela CGTP-IN,
PCP está destinado a crescer
Tal como a luta, tem crescido a compreensão do papel insubstituível do PCP.
«Os nossos inimigos de classe vêem-nos como principal alvo a abater, percebe-se porquê», constatou Paulo Raimundo. «Há mais de 100 anos que traçam esse objectivo e a cada ano que passa lá nos traçam novos e limitados horizontes de existência», acrescentou. «Ainda não perceberam que para acabar com o PCP era preciso acabar com os trabalhadores, era preciso acabar com o povo. Porque um Partido como o nosso, mesmo com as dificuldades que temos, um Partido ligado aos trabalhadores e neles inserido, vivendo os seus anseios, os seus interesses, os seus problemas e com eles dinamizando a resposta e a luta, um Partido assim, nunca vai desaparecer. Pelo contrário, está destinado é a reforçar-se e a crescer», realçou.
Comemorações em todo o País… e não só
As comemorações do 102.º aniversário do PCP estão a ter lugar em todo o País, e na Emigração, com múltiplas iniciativas a envolver milhares de militantes e simpatizantes do Partido.
Nas intervenções proferidas, afirma-se o projecto comunista, define-se prioridades de intervenção, mobiliza-se vontades e energias para levar por diante as exigentes tarefas que o colectivo partidário comunista tem pela frente – entre as quais se destacam o reforço da organização e intervenção do Partido e a dinamização da luta dos trabalhadores e das populações, objectivos inseparáveis e (de certo modo) interdependentes.
Ao Avante! chegou notícia de algumas destas iniciativas.
No dia 12, nas Caldas da Rainha, realizou-se um almoço no Centro de Trabalho do Partido, em que participou Vasco Cardoso, da Comissão Política e responsável pela Organização Regional de Leiria do PCP. Dois dias antes, o mesmo dirigente participou num jantar da Organização Concelhia de Leiria, realizado no Clube Recreativo do Soutocico. Voltando ao dia 12, o Centro de Trabalho de Mafra acolheu um almoço comemorativo, com Francisco Pereira, do Comité Central.
Na véspera, um jantar promovido pela Comissão Concelhia de Braga contou com a intervenção de Domingos Abrantes, dirigente do PCP durante décadas, resistente antifascista e antigo preso político. Participaram também Vítor Rodrigues, membro da Direcção da Organização Regional de Braga do PCP, e Damião Pereira, da JCP.
Já no dia 4, realizou-se na Suíça um almoço comemorativo do 102.º aniversário, promovido pela Organização da Emigração naquele país, onde existe uma numerosa comunidade portuguesa. Realizado em Boudry, o jantar contou com a presença de 30 militantes e amigos do Partido. A intervenção política ficou a cargo de Rui Braga, do Secretariado do Comité Central.
As comemorações prosseguem.