Acordo sobre exportação de cereais e fertilizantes

O acordo sobre a saída de cereais, outros produtos alimentares e fertilizantes da Rússia e da Ucrânia pelo Mar Negro poderá ser prorrogado por 60 dias. Moscovo reafirma o carácter global do pacto e exige que se cumpram os compromissos, incluindo os relativos ao fim das sanções impostas pelos EUA e a UE.

Moscovo exige cumprimento de todos os compromissos assumidos

A Rússia revelou, na terça-feira, 14, que dará o seu acordo ao prolongamento por mais dois meses da chamada Iniciativa de Cereais do Mar Negro, confirmadas a natureza global do acordo e a necessidade de se atender aos interesses da Rússia, eliminando-se todas as sanções, directas e indirectas, impostas pelos EUA e a UE, que visam condicionar, limitar ou impedir as exportações agrícolas deste país.

O vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Alexandr Grushkó, precisou que, neste processo dirigido pela ONU, é importante para Moscovo o cumprimento de todos os compromissos assumidos pelas partes, e que foram até ao momento boicotados pelos EUA e a UE.

Em 22 de Julho de 2022, a Rússia, a Turquia e a ONU assinaram um acordo, que foi prorrogado por mais 120 dias em 17 de Novembro, até 18 de Março de 2023 (o próximo sábado), para desbloquear, apesar da guerra, a exportação de cereais e fertilizantes da Ucrânia através dos portos do Mar Negro. Os representantes do governo de Kiev subscreveram um documento semelhante com Ankara e as Nações Unidas. Além disso, Moscovo assinou um memorando com a ONU para facilitar a exportação de fertilizantes e produtos agrícolas russos. No quadro destes acordos, foi instalado em Istambul um Centro Conjunto de Coordenação, com representantes de todas as partes envolvidas, para garantir a segurança e realizar inspecções pertinentes aos navios que transportam cereais ucranianos.

Recentemente, o representante permanente da Rússia na ONU, Vasili Nebenzia, informou que diversos países continuam a ter dificuldades em importar alimentos e fertilizantes russos devido às sanções impostas pelos EUA, a UE e Reino Unido. Moscovo exige a normalização das exportações agrícolas russas, incluindo a resolução de questões ligadas às sanções «ocidentais» (pagamentos bancários, logística do transporte, seguros, etc.), e denuncia a falácia e a hipocrisia do dito «alívio» das sanções a alimentos e fertilizantes russos anunciado por Washington, Bruxelas e Londres.

Segundo a diplomacia russa, as exportações russas de cereais no quadro do acordo alimentar assinado continua a ser dificultada e os fertilizantes russos disponibilizados para a África de forma gratuita continuam a ser bloqueados nos portos de países que integram a UE desde Setembro do ano passado, estimando-se que haja 240 mil toneladas de produtos retidos nessas condições.

De acordo com outras fontes, grande parte dos cereais ucranianos terão chegado à UE, que reexportou uma parte para a África e a Ásia a preços mais altos.

A Rússia declarou, em repetidas ocasiões, que a maioria dos navios que transportaram cereais ucranianos nos últimos meses não chegou aos países que deles mais necessitam e terminou a viagem na UE. Ao mesmo tempo, os produtos agrícolas russos mantiveram-se sob o efeito das sanções, ao contrário do estabelecido nos acordos assinados com a Turquia e as Nações Unidas.

 



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