Comunistas libaneses defendem Estado democrático e livre de ingerências
O Partido Comunista Libanês (PCL) exige um Estado democrático e de justiça social, livre de ingerências externas, no contexto do agravamento da crise económica que atinge o Líbano. Durante uma manifestação de protesto, que decorreu no domingo, 12, em Beirute, militantes, sindicalistas e outras personalidades de relevo no plano social expressaram a indignação da população perante a situação do país e ratificaram a insistência em enfrentar a classe dominante corrupta, tendo em vista a restituição dos direitos do povo libanês.
A mobilização popular convocada pelo PCL e outras organizações democráticas para a capital teve início na avenida de Hamra, defronte do Banco do Líbano, e terminou nas imediações do parlamento. A marcha foi encabeçada pelo secretário-geral dos comunistas, Hanna Gharib, e pelo deputado Osama Saad, líder da Organização Popular Nasserista.
Na manifestação, Gharib denunciou o sistema político de seitas e as suas implicações na situação de crise na maioria das funções das instituições do Estado, bem como na desintegração dos serviços públicos, em matéria de electricidade, água, transportes, saúde, educação e habitação. Ao mesmo tempo, o dirigente comunista pugnou por um Estado capaz de libertar a sua terra ocupada pelo inimigo israelita e proteger a sua riqueza de petróleo e gás, além de respaldar a causa nacional e opor-se a todo o tipo de ingerências, mandamentos e pressões estrangeiras.
Sob o lema «Não há outro remédio senão a confrontação», os participantes na manifestação brandiram cartazes e faixas insistindo na urgência em prosseguir a luta.
Desde 31 de Outubro de 2022 que o Líbano enfrenta as dificuldades de um duplo vazio de poder, após o fim do mandato presidencial de Michael Aoun e da gestão interina do governo do primeiro-ministro Najib Mikati. Neste cenário, a desvalorização da moeda nacional até chegar ao câmbio de 92 mil libras por cada dólar, os altos preços dos combustíveis e dos artigos de primeira necessidade, a somar à diminuição do poder aquisitivo da esmagadora maioria da população libanesa, tornam ainda mais complexa a situação económica e social do país.