Inflação confirma necessidade de mais salário e fixação de preços

Com a inflação a bater máximos históricos desde 1992, reforça-se a urgência do «aumento dos salários e das pensões e do controlo dos preços», assinala o PCP.

As subidas de preços estão hoje alargadas a todo o cabaz de compras

O Partido reagiu, em nota divulgada pelo seu gabinete de imprensa, aos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para a inflação no presente mês de Outubro, que apontam para uma taxa de 10,2%, «o valor mais elevado registado em termos homólogos no corrente ano e o mais elevado desde o início dos anos 90».

«Os maiores contributos para este aumento foram, uma vez mais, dos produtos energéticos, que cresceram 27,6%, e dos produtos alimentares não transformados, que cresceram 18,9%», detalha-se no texto, no qual se regista, igualmente, que, «no entanto, a chamada inflação subjacente (inflação calculada retirando a variação dos preços dos produtos alimentares não transformados e dos produtos energéticos), cresceu, em termos homólogos, 7,1%».

Tal «significa que as subidas de preços estão hoje alargadas a todo o cabaz de compras das famílias», explicam os comunistas portugueses, que esclarecem, ainda, que «tendo por base os valores registados em Outubro, a inflação acumulada ao longo dos dez primeiros meses do ano é já de 7,4%», tudo apontando para, «a manter-se o ritmo de crescimento de Outubro, que a inflação anual atinja os 8,2%».

Ora, para o PCP, «estes dados vêm uma vez mais confirmar não só a ausência de respostas por parte do Governo PS, que continua a recusar aumentos dos salários, das reformas e das pensões que recuperem o poder de compra perdido», mas também a necessidade da «regulação dos preços».

Justiça e soluções

As estatísticas oficiais põem ainda em evidência «o contraste entre as dificuldades que estão a ser impostas aos trabalhadores e ao povo português, e os lucros que estão a ser divulgados e apropriados pelos grupos económicos e financeiros, que se aproveitam da situação». Acresce a «subida das taxas de juro por parte do BCE que, em nome dos interesses do capital financeiro, pode vir a agravar ainda mais a situação económica e social» (ver página 10).

Neste contexto, o PCP considera «urgente parar a escalada de confrontação e sanções e o aproveitamento que delas está a ser feito». De crucial importância, assinala igualmente o Partido, é «aumentar salários, reformas e pensões muito para lá do que o Governo admite e que o grande capital deseja, assegurando a recuperação do poder de compra perdido».

No mesmo sentido, é uma emergência «regular preços da energia, dos bens alimentares ou da habitação, de modo a travar a especulação e proteger o poder de compra», assim como «promover políticas de apoio social e de reforço dos serviços públicos, que impeçam a acelerada degradação das condições de vida»:

«São necessárias políticas de estímulo ao desenvolvimento da produção nacional, de diversificação da actividade económica e de incremento do investimento público, contrariando as ameaças de estagnação e recessão económica que se desenham no horizonte», conclui, por outro lado, o PCP.




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