PCP exige reversão do processo de encerramento de balcões da Caixa

No momento em que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) prepara o encerramento de mais 23 balcões em Portugal continental, o PCP insiste que o banco público deve servir os interesses do País e do povo, o que não está a fazer.

Em 10 anos a CGD perdeu 300 agências e 3300 trabalhadores

Numa nota emitida no dia 13, o PCP começa por lembrar que este processo de encerramento de balcões da CGD, que tem agora novos e súbitos desenvolvimentos, «não é novo e levou já ao encerramento de mais de 300 agências nos últimos 10 anos». E acrescenta que o mesmo foi sempre acompanhado «por uma sistemática redução do número de trabalhadores», menos 3300 na última década, o que tanto tem contribuído para as dificuldades de resposta de muitos balcões e consequente transferência de clientes e negócios para a banca privada.

Sublinhando o facto de este anúncio ocorrer no momento em que a CGD anuncia lucros de 486 milhões de euros no primeiro semestre de 2022, o Partido realça que estes números valem, apesar de tudo, menos do que aquilo que um banco público representa nos serviços estratégicos que garante à população e às empresas: «É que se é importante o equilíbrio financeiro das empresas públicas, se é útil a arrecadação de receitas para o erário público sempre que estas não sejam depois atiradas no colo dos especuladores, é ainda mais importante perceber que a razão da existência de uma empresa pública é gerar riqueza, satisfazer necessidades sociais, apoiar a dinamização económica de toda a sociedade, satisfazer as necessidades estratégicas do próprio País, e é isso que a CGD não está a fazer neste momento.»

O PCP exige a interrupção imediata do processo de encerramento de balcões e a sua reversão, nomeadamente através da reabertura de um conjunto de balcões que desempenhavam um papel de proximidade com as populações. O Partido defende ainda uma redefinição das orientações dadas à CGD para que esta, «através do seu próprio exemplo, dê um contributo decisivo para romper com as práticas de comissões abusivas que hoje proliferam no sector bancário».

No comunicado em que saúda a luta das populações e dos trabalhadores do sector por uma banca ao serviço do povo e do País, o PCP faz ainda saber que chamará à Assembleia da República o ministro das Finanças, para questionar as orientações dadas pelo Governo ao banco público.

Protestar para travar

Na cidade de Lisboa, o PCP está contra o anunciado encerramento de nove balcões da Caixa – António Augusto Aguiar, Areeiro, Duque de Loulé, Príncipe Real, Santo Amaro, Praça de Londres, Francisco Manuel de Melo, Rego e Quinta dos Inglesinhos – que, a ir por diante, se somará aos cerca de 30 fechados desde 2017. O Partido realça que alguns destes balcões «cobrem extensas áreas de bairros ou freguesias, ficando a população praticamente sem alternativas a uma distância razoável».

Os comunistas entendem que a Câmara Municipal «não pode ficar indiferente à intenção de encerramento dos balcões da CGD e tem que salvaguardar os interesses de quem vive, trabalha, estuda ou visita Lisboa». Nesse sentido, os vereadores do PCP endereçaram ao presidente da CML um requerimento solicitando esclarecimentos. João Ferreira e Ana Jara pretendem saber, nomeadamente, se teve ou tem conhecimento desta pretensão da administração da CGD e, em caso afirmativo, que diligências já foram feitas para evitar o encerramento destes nove balcões, fundamentais para a população.

Em Almada, está marcada para amanhã, 19, uma concentração junto ao balcão da Caixa Geral de Depósitos na Praça MFA, um dos que se prevê que venha a encerrar. Esta iniciativa, convocada pelo PCP, está marcada para as 10h00.




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