Paliativos não servem segurança
O recurso do Governo a postos móveis como alegada solução para as carências de contingente nas forças de segurança (situação que já obrigou ao encerramento de esquadras da PSP e da GNR), «visa não só disfarçar a falta de efectivos, como acabar com uma polícia de proximidade e criar super esquadras», denuncia o PCP, que reagiu, assim, às medidas tomadas pelo Ministério da Administração (MAI), a semana passada.
Em nota divulgada pelo seu gabinete de imprensa, o Partido acusa ainda «os presidentes das câmaras municipais do Porto e de Lisboa, que vieram a público lamentar e reclamar medidas», de convergirem «com as medidas anunciada», as quais «não passam de remendos, destinadas a tapar os problemas estruturais para "turista não ver"».
«O PCP relembra o posicionamento público do Director Nacional da PSP», que «considerou que não faz sentido a existência de tantas esquadras, aspecto que o próprio MAI referiu quando disse que é preciso polícias nas ruas e não em trabalho administrativo. Acontece que o trabalho administrativo não é um mero aspecto burocrático, como o MAI sabe ou deveria saber», pelo que «é absurdo considerar que tal trabalho, pela sua natureza, possa ser passível de ser transferido para juntas de freguesia ou outros órgãos autárquicos».
«O Governo, preso nos constrangimentos resultantes da sua política, opta por medidas paliativas e dilatórias sem medir tudo o que envolve determinadas opções», prossegue-se no texto, no qual se reclama o fim de «uma política de remendos», reitera a necessidade de «responder com medidas de natureza estrutural» e «abandonar a política do malabarismo e da ilusão».
É urgente «adoptar medidas que respondam de facto aos problemas da Segurança Interna e dos profissionais», priorizando «a valorização e dignificação das carreiras, bem como no plano salarial, subsídio de risco e outros apoios sociais, garantindo as condições de atractividade e as condições para o exercício da profissão em condições de dignidade», detalha também o Partido.