Estado da arte

Anabela Fino

«Pelo menos 14 894 colonatos foram erguidos em Jerusalém Oriental e 7136 na Cisjordânia, incluindo em localidades no interior do território ocupado», revela um relatório da União Europeia intitulado 2021: Relatório sobre colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental.

E depois? Depois, nada.

«Comparado ao ano anterior, o período de 2021 registou uma taxa ainda maior de avanços coloniais na Cisjordânia e Jerusalém Oriental (22 030), ao reforçar a tendência de aumento na expansão dos colonatos nos territórios ocupados», refere o relatório.

E depois? Depois, nada.

«Para além dos indicadores exponenciais de 2021, há o avanço particular das unidades coloniais em Jerusalém Oriental, que mais do que duplicou em relação ao ano anterior, passando de 6288 unidades residenciais para 14 894 novas instalações.»

E depois? Depois, nada.

A expansão dos colonatos «separará os palestinianos de Jerusalém Oriental das principais zonas urbanas da Cisjordânia, incluindo Ramallah e Hebron (…) com graves implicações na contiguidade urbana dos palestinianos, pondo em causa uma solução viável de dois estados».

E depois? Depois, nada.

Dados da ONU revelam que, desde 2008, mais de seis mil palestinianos foram mortos por Israel, contra apenas 274 de israelitas vítimas de ataques palestinianos, o que traduz a brutal desproporção do confronto entre ocupantes e ocupados.

E depois? Depois, nada.

Ainda segundo a ONU, 2021 foi o ano com maior número de mortes palestinianas (380), incluindo crianças (90), desde 2014. O número de casas e outros equipamentos destruídos foi também o maior desde que há registo (967), o que provocou o maior número de deslocados desde 2016 (1190, entre os quais 656 crianças).

E depois? Depois, nada.

Em Maio, o Supremo Tribunal de Israel decidiu por unanimidade que o exército israelita podia desalojar os cerca de 1200 palestinianos que vivem em oito aldeias nas colinas do Sul de Hebron, na Cisjordânia, para usar os terrenos como zona de treino militar.

E depois? Depois, nada.

Em Junho, a senhora Von der Leyen foi a Israel e à Cisjordânia. Prometeu uma esmola aos ocupados – ao que parece uma verba bloqueada desde o ano passado como castigo pela persistência em resistir – e discutiu com os ocupantes as jazidas de gás no Mediterrâneo Oriental.

E depois? Depois, nada.

Em meados deste mês, Joe Biden foi a Israel à procura de aconchego e à Arábia Saudita à procura de petróleo, e de caminho engoliu o assassinato de dois jornalistas (Jamal Khashoggi e Shireen Abbu Akleh), um estado que designou de ‘pária’, os direitos humanos, os novos colonatos israelitas e uma mão cheia de resoluções da ONU pela paz no Médio Oriente.

E depois? Depois, nada.



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