Pujante desfile no Porto pela paz e o desarmamento
«Guerra é sofrimento: Fim ao armamento» foi uma das muitas pancartas que era possível ler no desfile pela paz da passada quarta-feira, dia 29, no Porto, que reuniu para cima de um milhar de pessoas na zona histórica da cidade.
As sanções são causadoras de pobreza e miséria também em Portugal
Encabeçada por um grupo de bombos, daquela manifestação, com uma bem notória e enorme presença de manifestantes muito jovens, emanou uma energia e convicção sempre constantes que, tendo em conta as ruas por onde passou, aliada ao bom tempo que se fazia sentir, teve um enorme impacto e visibilidade, lembrando, entre outras frases, que «Para a guerra vão milhões e para os povos só tostões!». Os participantes concentraram-se na Cordoaria e, enchendo pelo caminho ruas históricas, terminaram a marcha no Largo do Terreiro, junto ao Douro.
Pela paz, denunciando a NATO, o aumento das despesas militares, a corrida aos armamentos, e exigindo o seu fim, estiveram ali dezenas de organizações identificadas com panos de desfile, bandeiras e outros materiais de animação, naquela que foi uma grande resposta ao «importante e necessário apelo» em defesa da paz, conforme se ouviria na intervenção final daquela iniciativa.
Foi já com a Ribeira do Porto e o Douro como pano de fundo que Ilda Figueiredo, dirigente do Conselho Português para a Paz e Cooperação, afirmou que o caminho para garantir a paz «é o respeito pelo direito internacional conforme com a carta da ONU» e a Acta Final da Conferência de Helsínquia. Já aquela oradora sublinhava que ali estavam contra todos os conflitos, independentemente da sua localização geográfica, porque estes «provocam destruição, sofrimento, mortes e milhões de refugiados e deslocados», e ainda, bons metros acima daquele local, entravam manifestantes no local.
Ali também se ouviu exclamar a absoluta necessidade do fim das sanções, porque «para além de entrarem na lógica da confrontação, atingem sobretudo as condições de vida das populações, tanto nos países que as sofrem, como nos países que as impõem», sendo directas e imediatas causadoras de «pobreza e miséria». Como aliás se verifica em Portugal, afirmou Ilda Figueiredo, «com o aumento do custo de vida, ao mesmo tempo que se acumulam os lucros dos grandes grupos económicos».
Paz é valor de Abril
Para além de muitas palavras de ordem gritadas pelos presentes ao longo da intervenção final, destacando-se a estrondosamente audível Paz Sim, Guerra Não, é possível, de entre tanta visível determinação, destacar um momento de enorme aplauso e ovação, quando Ilda Figueiredo referiu a Revolução do 25 de Abril, as suas características, e que «constituiu uma pujante afirmação contra o fascismo e a guerra», lembrando ali o repúdio explícito a «todas as manifestações de fascismo, xenofobia e racismo», aliás «princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa».
A terminar, Ilda Figueiredo garantiu que «voltaremos à rua, tantas vezes quantas as que forem necessárias». Agradecendo e valorizando aquela «espantosa participação em defesa da Paz», concluiu que «a paz é um direito, sem ela nada feito» e que «a luta continua!», expressões que suscitaram imediata e entusiástica resposta naquele local completamente repleto de gente em luta pela Paz.
Esta acção, como a que no sábado anterior se realizou na Avenida da Liberdade, em Lisboa, foram promovidas por dezenas de personalidades e organizações subscritoras do Apelo «Paz Sim! Guerra e Corrida aos Armamentos Não!».