Utentes exigem medidas urgentes para salvar o SNS
Numa carta aberta dirigida ao primeiro-ministro, as comissões de utentes da Península de Setúbal reclamam a tomada de «medidas urgentes» para ultrapassar os constrangimentos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Os profissionais de saúde do SNS estão esgotados
No documento – aprovado por unanimidade nas concentrações junto aos hospitais Garcia de Orta, em Almada, Barreiro/Montijo e Setúbal – exige-se a contratação e fixação de profissionais de saúde no SNS; a valorização das carreiras e das remunerações de todos os profissionais; a reimplementação do regime de dedicação exclusiva; o alargamento dos incentivos para a fixação de profissionais de saúde em áreas com carências em saúde; o investimento na modernização de instalações e equipamentos e na internalização de meios complementares de diagnóstico e terapêutica.
A construção imediata de todos os centros de saúde em falta na Península de Setúbal e do Hospital do Seixal; o alargamento do horário de atendimento dos centros de saúde e a abertura de pelo menos uma unidade em cada concelho, são outras das reivindicações dos utentes, que rejeitam e repudiam o «processo de transferência de competências», por considerarem que «o seu avanço choca com o direito constitucional e humano que todos os cidadãos têm no acesso à saúde, independentemente das suas condições económicas e sociais».
Como se adverte na carta aberta, «em algumas regiões do País, em particular na Área Metropolitana de Lisboa, com grande incidência na Península de Setúbal, é quase impossível marcar uma consulta». «Há pedidos de consultas com mais de um ano que ainda não foram atendidos e os utentes estão limitados às insignificantes vagas do dia ou para doença aguda, indo de madrugada para a porta das unidades para o conseguir», denuncia-se, lembrando: «Há casos em que às 9h00 as vagas já estão esgotadas, não tendo outra alternativa senão recorrer às urgências dos hospitais».
Paralelamente, no que se refere a exames complementares de diagnóstico, os utentes estão confinados ao sector privado, aguardando meses para os realizarem e, em muitos casos, «têm de os pagar, por as empresas não respeitarem as convenções com o SNS ou pura e simplesmente, as terem declinado».
Junto ao Hospital Garcia de Orta, para além de estruturas representativas dos profissionais de saúde, estiveram, entre muitos outros, o vice-presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva, e a presidente da União de Freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires, Maria João Costa. Joaquim Judas, antigo presidente da Câmara de Almada, também participou na concentração.
Em defesa do SNS, nos últimos dias tiveram ainda lugar acções em Salvaterra de Magos, Benavente, Santarém, Rio Maior e Abrantes.