Exposição assinala 100 anos de Américo Leal
O PCP inaugurou, sábado, 23, uma exposição evocativa do centenário de Américo Leal, na qual se destaca o «comunista centenário coincidente com o centenário do seu Partido, lutador pela liberdade, por Abril e suas conquistas».
É urgente lembrar o que foi o fascismo e projectar os valores de Abril
A sessão de abertura da mostra patente no Edifício Arrábida, em Setúbal, foi apresentada por Mónica Sardinha e contou com a presença de muitos camaradas e amigos, bem como dos filhos de Américo Leal. Daniel Figueiredo, do executivo da Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP, dirigiu algumas palavras no momento da inauguração da exposição, enquanto que a Francisco do Ó Pacheco, Domingos Abrantes e Armindo Miranda, da Comissão Política, couberam as intervenções.
Sobre a estatura política de Américo Leal, Francisco do Ó Pacheco recordou que, após longos anos na clandestinidade a lutar pelo derrube da ditadura fascista, o reconhecimento do povo de Sines pelo militante comunista era tal que, de regresso à sua terra natal, nos primeiros dias de Maio de 1974, Américo Leal foi recebido na estação de comboios por uma multidão e levado em ombros.
«Quando o povo transporta os seus mais queridos filhos aos ombros, está tudo dito. É a simbiose perfeita entre o dirigente e as massas populares», sintetizou Francisco do Ó Pacheco, que destacando, ainda, o papel desempenhado por Américo Leal na organização do PCP ou no avanço e defesa da Reforma Agrária, considerou que o revolucionário de têmpera, forjado no trabalho e na solidariedade de classe, foi «sempre o primeiro exemplo na seriedade, na combatividade».
Domingos Abrantes, por seu lado, sublinhou que a vida e percurso partidário de Américo Leal falam por si, ajudando «a compreender por que é que somos o único Partido que se pode orgulhar de ter 100 anos de existência e de ter iniciado a caminhada confiante para o segundo centenário».
«A causa das causas que explicam a nossa longevidade reside na capacidade que o Partido tem de forjar gerações de “américos leais” – homens, mulheres e jovens de firmes convicções, de entrega plena, até ao supremo sacrifício, ao Partido, à luta libertadora dos explorados», insistiu Domingos Abrantes, que passando em revista alguns dados biográficos e tarefas assumidas por Américo Leal, lembrou que este «chegou a fazer mais de 3500 km por mês de bicicleta em condições precárias».
A terminar, Armindo Miranda realçou que o essencial sobre Américo Leal havia já sido «dito e bem dito». Por isso destacou que «perante novas investidas que estão em curso, de branqueamento do fascismo – designando-o eufemisticamente de “Estado Novo” ou “anterior regime” ou apagando a natureza e objectivos da acção do “governo terrorista dos monopólios e latifundiários” – é preciso que se relembre o que foi o fascismo e se valorize a luta antifascista».
Central, é, igualmente, «relembrar o que foi a Revolução do 25 de Abril» e celebrá-la «projectando as conquistas e os valores que plasmou, convocando as energias e alegria de viver e de lutar pela construção de um Portugal desenvolvido, de progresso, de paz e soberano», disse também o dirigente do PCP.