Luta na CAMO evidenciou firmeza nas ruas de Gaia
Ao terceiro dia de greves parciais, os trabalhadores da fábrica de autocarros CAMO manifestaram-se em Vila Nova de Gaia, mostrando-se unidos e determinados na luta contra discriminações e por aumentos.
A administração semeou discriminações e colheu luta firme
No dia 1, começaram as greves, decididas pelos trabalhadores e convocadas pelo SITE Norte para todas as terças e quintas-feiras deste mês. Além de paralisarem nestes dias, das 15h30 às 16h30, os trabalhadores estão a recusar trabalho suplementar.
O sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN tinha anunciado que, nas horas de greve, ocorreriam concentrações junto da portaria, o que sucedeu na semana passada. Mas, anteontem, foi acrescentada uma saída, em manifestação, para a Rua 1.º de Maio, seguindo pela Rua da Rechousa e Rua das Indústrias.
A exibir, na frente, uma faixa onde se lia que «os trabalhadores da CAMO lutam por aumentos salariais dignos e contra a discriminação salarial», um numeroso grupo desfilou gritando palavras de ordem, como «é justo e necessário o aumento do salário» ou «CAMO, escuta, os trabalhadores estão em luta», e agitando bandeiras vermelhas da CGTP-IN.
Como foi referido em declarações de trabalhadores e dirigentes do sindicato, durante esta jornada, suscitou particular indignação uma proposta patronal para aumentar salários em 25 euros, progressivamente, ao longo de cinco anos.
Há dois anos que não há actualização salarial.
Mas, como razão principal, foi destacada a discriminação salarial criada pela administração, no ano passado, quando promoveu um concurso para promoções, seguido de atribuição de suplementos salariais, acabando por distorcer a remuneração segundo a carreira e a antiguidade.
As diferenças superam os 130 euros mensais, prejudicando trabalhadores mais antigos. Não foi aceite pela administração uma proposta para que essas discriminações fossem já corrigidas, integrando os suplementos na remuneração regular, aumentando salários e admitindo que novos aumentos pudessem não ocorrer durante os próximos três ou quatro anos.
Num clima de forte unidade, a luta tem contado com a participação também dos trabalhadores a quem a empresa atribuiu suplementos.
Ao anunciarem esta série de greves, o SITE Norte e os trabalhadores da CAMO, pertencente ao Grupo Perez Rumbao (Galiza, Espanha), referiram ainda, como reivindicações, a requalificação das categorias profissionais e a passagem dos trabalhadores com vínculo precário para o quadro de efectivos.