Frente sindical conseguiu melhorias na Altice
Na primeira reunião, em fase de conciliação no Ministério do Trabalho, foram comprovadas posições dos sindicatos que não aceitaram o resultado dado como final pela MEO (Altice) e aceite por outros.
A Altice aumentou receitas e alienou património muito valioso
Na revisão do acordo colectivo de trabalho (ACT), as cinco estruturas que se constituíram em frente sindical (Sinttav, Sntct, STT, FE e Sinquadros) entenderam utilizar todas as possibilidades legais para «conseguir melhoramentos, a acrescentar ao resultado que a empresa considerou como final e consentido por alguns sindicatos, que devem esclarecimentos aos trabalhadores pela sua atitude».
A decisão fora assim explicada, num comunicado conjunto, a 17 de Janeiro, assinalando que os trabalhadores «nos últimos anos, têm sido muito injustamente prejudicados».
Em contraponto, notava a frente sindical, «a Altice Portugal tem apresentado bons resultados financeiros e aumento de receitas nos últimos quatro anos, vendeu as torres de telecomunicações, vendeu 50 por cento da rede GPON [tecnologia de fibra óptica para transmissão de maior volume de dados através de uma única fibra], vendeu e continua a vender inúmero património imobiliário e reduziu os custos com o pessoal de forma expressiva (eliminou mais de 5000 trabalhadores desde 2015)».
Para os sindicatos que não aceitaram a posição «final», tornava-se «urgente alargar o âmbito do ACT a todas as empresas da Altice em Portugal (nem que seja de forma faseada)» e havia «condições para a gestão melhorar a proposta para os aumentos salariais, alargando a actualização às restantes cláusulas de expressão pecuniária».
Num comunicado emitido após a primeira reunião de conciliação, realizada a 1 de Fevereiro, a frente sindical informou que a administração evoluiu na sua proposta, «para que todos os trabalhadores tenham actualização salarial, mesmo os que têm vencimento acima da tabela, e, ainda, para que o vencimento mínimo nas empresas abrangidas pelo ACT passasse de 740 para 760 euros». Ficou assegurado que os novos valores produzem efeito a partir de 1 de Janeiro deste ano, para todos.
Os representantes patronais não aceitaram quantificar os trabalhadores abrangidos por promoções e progressões, mas assumiram em acta os critérios para a sua selecção.
Também recusaram iniciar já o alargamento progressivo do âmbito do ACT às empresas do Grupo Altice não abrangidas, nem a aplicação de alguns direitos, mas admitiram que o tema seja reavaliado em próximas negociações. A dispensa no dia de aniversário já vigora na PT Sales, confiando os sindicatos que, «mais cedo do que tarde, será uma realidade nas restantes empresas Altice em Portugal».
Uma nova reunião entre sindicatos e administração da MEO (Altice) deverá ter lugar até ao final de Março.