Nas cantinas admite-se «avançar na luta»
«Caso a associação patronal Ahresp mantenha a sua posição de baixos salários e de retirada de direitos, teremos de avançar na luta», alerta a Fesaht/CGTP-IN, num comunicado em distribuição aos trabalhadores das cantinas, refeitórios, fábricas de refeições, áreas de serviço e bares concessionados.
A Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal reclama «um aumento robusto, digno e justo dos salários» e rejeita a tabela salarial que as empresas deste sector aplicaram no final de Janeiro, salientando que ela «não tem o acordo dos nossos sindicatos, por ser manifestamente insuficiente».
As negociações para a revisão do contrato colectivo de trabalho continuam a decorrer e, para dia 16, está marcada uma reunião com a Ahresp.
A Fesaht propôs um aumento geral de 90 euros para todos os trabalhadores, com excepção das cozinheiras, para as quais a proposta é de 100 euros.
Na última reunião com a associação patronal, a federação declarou que não aceita a retirada de direitos dos trabalhadores, recorda-se no comunicado.
Por estes motivos, teve lugar uma greve nacional, a 10 de Dezembro.
Na altura, numa moção aprovada em concentrações junto da sede e das delegações regionais da Ahresp, foram dados alguns exemplos do que esta exige, a troco de aumentos salariais que colocariam a esmagadora maioria dos trabalhadores ao nível do salário mínimo nacional: retirar o subsídio nocturno, reduzir o pagamento do trabalho suplementar e em dias de folga ou feriados, impor «bancos» de horas e horários concentrados, permitir transferências abusivas e polivalências.
Movijovem à margem
A Fesaht considerou inaceitável a decisão, anunciada aos trabalhadores pela direcção da Movijovem, de avançar com aumentos salariais em Janeiro, com negociações a decorrer.
Além de «violar princípios de boa-fé negocial e de respeito pelas organizações sindicais, pelos representantes dos trabalhadores e pelos próprios trabalhadores», tal atitude visou «colocar os sindicatos perante factos consumados».
Por outro lado, o aumento anunciado, de 0,9 por cento, «fica muito aquém da inflação» e falar em assegurar 10 euros mais do que o valor do salário mínimo nacional fica abaixo dos 15 euros, limite negociado em 2020.