Resposta de luta na Carl Zeiss contra despedimento selectivo
Na fábrica da multinacional da indústria óptica, em Setúbal, foi decidido avançar para uma greve, caso a Carl Zeiss Vision mantenha a intenção de despedir trabalhadores para impor a laboração contínua.
A Carl Zeiss recorre com regularidade a trabalho extra e temporário
Na sexta-feira, dia 4, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira e a Feviccom/CGTP-IN contestaram a «intenção de despedimento colectivo de seis trabalhadores da Carl Zeiss Vision Portugal, entre eles dois delegados sindicais», considerando-a «um atentado à segurança e estabilidade no emprego, um desrespeito para com todos os trabalhadores da empresa e um ataque à organização sindical».
«O despedimento não é colectivo, é selectivo», porque «foi concebido e programado para despedir delegados sindicais e trabalhadores que se opõem, fundamentadamente, à imposição da laboração contínua, pretendida pela empresa há mais de um ano», como se referia numa nota também divulgada pela União dos Sindicatos de Setúbal.
Para as estruturas da CGTP-IN, «as razões económicas invocadas estão longe de corresponderem à realidade e às mais-valias acumuladas pela empresa, para além de esta ter ainda beneficiado de ajudas do Estado português, recentemente, através do lay-off simplificado».
A Carl Zeiss «não tem trabalhadores a mais, tem é trabalhadores a menos», como comprova o «recurso regular ao trabalho extraordinário e ao trabalho temporário».
Assim sendo, «estamos perante uma situação de evidente má-fé e uma atitude hipócrita, cínica, imoral, anti-sindical e, a todos os títulos, condenável, que merece não só a reprovação como a rejeição, por parte dos trabalhadores, dos seus representantes sindicais e do Governo, que tem a responsabilidade de travar este processo».
A resposta dos trabalhadores foi decidida esta segunda-feira, dia 7, num plenário realizado à tarde, no exterior das instalações fabris. Em data a definir, será realizada uma greve parcial, não estando excluídas outras acções.
Na reunião participaram algumas dezenas de trabalhadores e dirigentes sindicais e também usou da palavra um antigo trabalhador da Carl Zeiss.
Uma delegação do PCP, constituída por membros do Comité Central e dos organismos executivos da Direcção da Organização Regional de Setúbal, incluindo a deputada Paula Santos, transmitiu aos trabalhadores a solidariedade do Partido e reafirmou a determinação de continuar a intervir para travar esta intenção da multinacional.
A 21 de Janeiro, o PCP apresentou na AR uma pergunta à ministra do Trabalho, reclamando medidas para travar a ameaça de despedimento na Carl Zeiss e para que sejam respeitados os direitos laborais e sindicais.
Hotel Estoril Éden
O Sindicato da Hotelaria e Similares do Sul exigiu, a 18 de Janeiro, a reversão do despedimento colectivo intentado pela administração do Hotel Estoril Éden. Nesta unidade da empresa Aquatécnica, como denunciou o sindicato da Fesaht/CGTP-IN, foram atingidos por um despedimento colectivo sete trabalhadores, um dos quais foi o coordenador da Comissão de Trabalhadores, também dirigente sindical.
A justificação patronal foi a quebra de receitas, mas o sindicato recordou que o hotel recorreu a apoios públicos, praticamente desde o início da epidemia, e recebeu milhares de euros da Segurança Social, sem que lhe fossem exigidas garantias de preservação de postos de trabalho.