José Carlos é um exemplo de revolucionário permanente

Teria feito cem anos no passado dia 6 de Outubro se fosse vivo o camarada José Carlos, quadro do PCP que regressou sempre ao seu posto na luta de classes.

José Carlos foi um protagonista da resistência ao fascismo

O nome de José Carlos é frequente e justamente recordado pela fuga de Peniche, em três de Janeiro de 1960, na qual esteve envolvido com outros nove funcionários do PCP – Álvaro Cunhal, Jaime Serra, Joaquim Gomes, Francisco Miguel, Guilherme da Costa Carvalho, Pedro Soares, Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues e Rogério de Carvalho. Mas José Carlos foi, durante décadas, um protagonista da resistência ao fascismo e exemplo de quadro comunista que regressa sempre, até ao limite das suas forças, ao seu posto revolucionário.

Natural de Santiago do Cacém, filho de camponeses sem terra e serralheiro de profissão, José Carlos ingressou no PCP em 1950, tendo passado ao quadro de funcionários clandestinos em 1953, depois de um forte envolvimento na criação das organizações do Partido na indústria e no campo na região.

Também em 1953, assume a responsabilidade das organizações do Montijo e Setúbal. Em 1954, passa a acompanhar as organizações de Almada e do Seixal e em 1955 controla o Alto e o Baixo Alentejo.

Preso pela primeira vez em 1957, nas proximidades de Beja, é condenado a sete anos de cadeia, mas evade-se de Peniche a 3 de Janeiro de 1960, assumindo imediatamente tarefas de organização numa vasta área que ia do Ribatejo à região Oeste de Lisboa, até Moscavide.

José Carlos é novamente preso em 1963 e condenado com cúmulo jurídico a quase 17 anos de cadeia, tendo cumprido mais de 11 anos e meio. Libertado por motivos de saúde, regressa à clandestinidade em 1973. A 25 de Abril de 1974 encontrava-se na Organização Regional do Norte, tendo como principal tarefa o trabalho sindical. Em Setembro desse mesmo ano, volta à região de Setúbal, permanecendo nesta Direcção da Organização Regional do PCP, com responsabilidade sobre as concelhias do Montijo e Alcochete, até 1980, quando passa a ter tarefas apenas no executivo da concelhia do Montijo devido ao agravamento dos seus problemas de saúde, resultantes dos longos anos de clandestinidade forçada e daqueles passados nas prisões do fascismo.

Um revolucionário

nunca está só

À semelhança de outros militantes comunistas que caíram nas mãos da PIDE e foram enviados para os cárceres do fascismo, mas mantiveram um comportamento irrepreensível, José Carlos nunca foi esquecido pelos seus camaradas e pelo povo, a cuja emancipação dedicou a vida.

Logo em Abril de 1958, o Avante! denunciava que nada se sabia sobre o seu paradeiro e estado desde que fora retirado da sala 2-A do Aljube. Já em Janeiro de 1960, saudava-se no Órgão Central do PCP a fuga de Peniche.

Logo após a sua segunda prisão, em Maio de 1963, o nome de José Carlos consta de documentos dirigidos ao «Povo do Sul» e da Direcção Regional de Lisboa do PCP, nos quais se apela à exigência da sua libertação, bem como à de outros camaradas, igualmente presos no mesmo período, entre os quais Blanqui Teixeira.

Aliás, Blanqui Teixeira, Joaquim Pires Jorge e José Carlos são os nomes referidos num postal emitido na Bélgica para uma campanha internacional pela libertação dos presos políticos portugueses.

No Avante! de Abril de 1972, saúda-se a libertação de José Carlos e, no mesmo artigo, exige-se que sejam devolvidos à liberdade os militantes comunistas Ilídio Esteves, Rogério de Carvalho, José Magro e Úrsula Machado, o que constitui mais uma prova inequívoca de que um revolucionário nunca está só.



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