Ao teu lado, todos os dias

João Frazão (Membro da Comissão Política)

A pa­lavra de ordem que dá o mote à in­ter­venção do Par­tido nesta fase – «PCP, Força de­ci­siva, ao teu lado todos os dias» – contém um pro­grama de grande im­por­tância, sig­ni­fi­cado e den­si­dade po­lí­tica que im­por­tará si­na­lizar.

Re­giste-se que não se trata de ne­nhuma fuga para a frente ou de um chavão para iludir re­sul­tados elei­to­rais. Essa ava­li­ação foi feita na reu­nião do Co­mité Cen­tral, com a de­vida va­lo­ri­zação dos re­sul­tados al­can­çados e pe­sando os im­pactos que deles advêm.

Trata-se, isso sim, da con­fir­mação de um es­tilo de tra­balho que pre­ci­samos de acen­tuar, neste mo­mento em que estão ex­postas fe­ridas pro­fundas no te­cido so­cial, cau­sadas por dé­cadas de po­lí­tica de di­reita e pelo apro­vei­ta­mento que o ca­pital tem vindo a fazer da epi­demia, para que o Par­tido, no seu todo e cada or­ga­ni­zação por si, as­suma a acção e a ini­ci­a­tiva po­lí­tica, res­pon­dendo aos pro­blemas dos tra­ba­lha­dores e do povo, desde logo a partir da sua mo­bi­li­zação e en­vol­vi­mento.

O papel do Par­tido não é, nunca foi, nem o de ficar con­tem­pla­tivo, nem fe­chado sobre si mesmo, pe­rante di­fi­cul­dades pró­prias ou alheias.

O papel do Par­tido, hoje como ontem, é o de, em pri­meiro lugar, iden­ti­ficar os pro­blemas e, de­pois, apontar as pro­postas e os ca­mi­nhos para mo­bi­lizar os tra­ba­lha­dores e o povo para os ul­tra­passar e al­cançar as res­postas ne­ces­sá­rias.

É o de estar ao lado dos tra­ba­lha­dores que re­clamam me­lhores sa­lá­rios, me­lhores ho­rá­rios e mais di­reitos e con­di­ções de tra­balho. E, ao seu lado, as­sumir o papel di­an­teiro na luta nas em­presas e lo­cais de tra­balho, nos ple­ná­rios, nos abaixo-as­si­nados, nas pa­ra­li­sa­ções, nas greves.

Ao seu lado, re­sistir à ofen­siva que sobre eles se abate que, para li­mitar o al­cance das sua rei­vin­di­ca­ções, pro­cura dar cen­tra­li­dade à tese de que, nesta cir­cuns­tância de tantos des­pe­di­mentos, ter em­prego já não é mau.

O papel dos co­mu­nistas é o de estar na pri­meira linha, ao lado das po­pu­la­ções, em de­fesa das obras ne­ces­sá­rias no Centro de Saúde, da con­tra­tação de pes­soal para o Hos­pital, da ga­rantia de mé­dico de fa­mília, para as­se­gurar a todos o di­reito à saúde.

O nosso papel, é estar lá, ao lado dos que exigem me­lhores ser­viços pú­blicos, dos que se opõem ao en­cer­ra­mento de bal­cões da Caixa Geral de De­pó­sitos, dos que re­clamam cre­ches para as suas cri­anças.

É o de estar ao lado dos pe­quenos e mé­dios em­pre­sá­rios e agri­cul­tores, dos jo­vens e das mu­lheres, dos tra­ba­lha­dores e agentes da cul­tura, de todos os que so­frem com dé­cadas de po­lí­ticas con­trá­rias aos seus in­te­resses e di­reitos.

Por outro lado, se a afir­mação de que es­tamos ao seu lado, in­clui ini­ci­a­tiva, pro­posta e luta, ela im­plica or­ga­ni­zação e o seu re­forço.

Para o Par­tido cum­prir o seu papel, em suma, para se ligar às massas, que é a res­posta de sempre para re­sistir e avançar, é in­dis­pen­sável o em­pe­nha­mento, a de­ter­mi­nação e a com­ba­ti­vi­dade de cada mi­li­tante. Mas con­dição es­sen­cial é as­se­gurar o re­forço da nossa or­ga­ni­zação, o alar­ga­mento dos re­cru­ta­mentos, a res­pon­sa­bi­li­zação de mais ca­ma­radas, o fun­ci­o­na­mento re­gular dos seus or­ga­nismos.

Mas o lema in­clui ainda uma outra ideia. A de que o PCP é força de­ci­siva na vida po­lí­tica na­ci­onal. A vida vem mos­trando como isso é ver­dade em todos os mo­mentos e neste em par­ti­cular. Pe­rante di­fi­cul­dades e pro­blemas com que as po­pu­la­ções e os tra­ba­lha­dores estão con­fron­tados, pe­rante os dé­fices es­tru­tu­rais que con­ti­nuam a blo­quear o de­sen­vol­vi­mento do País, há uma força que se le­vanta e que aponta um ca­minho al­ter­na­tivo.

É esta força, que não vira a cara à luta, que faz de cada apoio e de cada voto uma pla­ta­forma para pros­se­guir a sua in­ter­venção, que es­tará todos os dias ao teu lado.




Mais artigos de: Opinião

Nomes de guerra

A aliança militar e tecnológica entre os EUA, Reino Unido e Austrália (Aukus) abre uma nova frente na escalada estratégica do imperialismo contra a China, na região vital que a terminologia dominante, desde Trump, decidiu designar de Indo-Pacífico (em vez de Ásia-Pacífico) para acomodar a Índia. O pacto tripartido...

Toxicidades

«Relativamente ao fim da vida útil, a excreção humana e os tratamentos de águas residuais colocam um fardo adicional nos impactos ambientais». Este primor do labor parlamentar, esta pérola da prosa legística nacional, pode ser encontrada no Projecto de Lei do PAN, esta semana discutido na Assembleia da República, que...

Casa aberta

O Governo anunciou que no primeiro sábado em que funcionou a modalidade «casa aberta» para renovar o cartão do cidadão ou o passaporte foram emitidas 5500 senhas. Trata-se de uma medida que se destina a regularizar os atrasos acumulados pelos sucessivos confinamentos e encerramentos dos serviços públicos no último ano e...

No fundo, e querem que lá fiquemos

A convergência PS-PSD-CDS-IL-Chega votou na AR contra a proposta de aumento do salário mínimo apresentada pelo PCP. Os mesmos que eternizam o bloqueio à contratação colectiva declararam que o assunto pertence à «concertação social». Se levarmos a sério o que está no papel e fontes da Internet, o salário mínimo em...

Se calhar

Dias depois de PS, PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal terem ‘chumbado’ na Assembleia da República o projecto de resolução do PCP que recomendava ao Governo o aumento do Salário Mínimo Nacional para 850 euros, o presidente da CIP, António Saraiva, afirmava em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios que «se...