Do lado certo
Do imenso arsenal ideológico diariamente mobilizado contra o PCP, sobressaem as questões relacionadas com o seu posicionamento internacional, presente ou passado. Na maioria dos casos, quem a elas recorre não está interessado em contextualizar ou analisar qualquer posição política nem é movido por uma genuína vontade de encontrar elementos que permitam novas visões sobre a História e o mundo. Os seus propósitos são normalmente bem mais prosaicos.
Há quem pretenda, tão somente, legitimar opções e percursos próprios, muitas vezes pouco dignificantes, mas a maioria tem objectivos mais ambiciosos: fixar narrativas conformes com determinados (e frequentemente obscuros) interesses económicos e políticos e afastar os comunistas de qualquer debate sobre as perspectivas de desenvolvimento do País, tentando colocá-los na defensiva: há eleições para Presidente da República? Lá vem Cuba e a Venezuela; uma determinada proposta ameaça direitos e liberdades? Logo alguém jogará a cartada chinesa; os EUA agridem países soberanos? E a União Soviética?, haverá sempre quem pergunte.
Aqui chegados, que ninguém depreenda do que atrás se escreveu qualquer desvalorização da importância destas questões ou a intenção de a elas fugir. Pelo contrário, a postura internacionalista e anti-imperialista do PCP não só constitui para os comunistas portugueses um legítimo motivo de orgulho como é parte estruturante do seu projecto revolucionário: não foi Lénine quem caracterizou o ideal comunista como o fim das guerras, a paz entre os povos, o fim das pilhagens e violências? A longa história do PCP, que cumpre depois de amanhã 100 anos, testemunha este compromisso, quase sempre contra a corrente dos poderes dominantes.
Nos primeiros anos da sua existência, o PCP esteve sozinho a denunciar a Santa Aliança de 14 potências imperialistas que invadiram a Rússia Soviética para aí repor a dominação capitalista e feudal e, mais tarde, quando o fascismo golpeava a Espanha e ameaçava a Europa, colocou muitos dos seus recursos e quadros ao serviço da causa republicana. Criticou o apoio da NATO ao fascismo e exigiu o fim da chantagem nuclear dos EUA. Condenou os crimes de guerra cometidos na Coreia e no Vietname e apoiou os povos das antigas colónias que lutavam pela sua independência. Não foi, como outros, nos cantos de sereia dos que fazem a guerra jurando querer a paz – na Jugoslávia, no Iraque, no Afeganistão, na Síria, na Líbia.
Na semana passada, pouco mais de um mês após a sua entrada em funções, a nova administração norte-americana ordenou o bombardeamento de território sírio. Até ao momento, só o PCP condenou. Revelador.