Heróis sem aumento salarial discutem elevação da luta

NEGOCIAÇÃO O Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário propôs uma greve na Medway (antiga CP Carga) a 3 de Março, para reivindicar aumentos salariais substanciais e negociados.

Os salários estão a ficar ao nível do mínimo nacional

A administração da empresa do Grupo MSC enviou nos últimos dias, para casa dos trabalhadores, cartas dirigidas aos filhos destes, a elogiar os pais «heróis».

Para o SNTSF, «a melhor medalha» que os patrões poderiam dar aos trabalhadores seria «a negociação da valorização das suas condições de vida e trabalho», como afirma num comunicado de dia 8.

Com uma reunião convocada pela administração para ontem, dia 10, o sindicato da Fectrans/CGTP-IN propôs desde já aos trabalhadores que, «a partir de cada local de trabalho, se discuta a realização de uma greve de 24 horas, no dia 3 de Março», em defesa das reivindicações apresentadas em Dezembro e que a empresa tentou anular, ao decretar, por acto de gestão, uma actualização de um por cento.

O SNTSF considerou que foi violado o direito à negociação colectiva, apelou ao protesto dos trabalhadores, subscrevendo um postal dirigido à administração, e sugeriu a realização de greve num momento posterior, para evitar medidas que, no actual «quadro de dramatismo», pudessem dificultar o exercício desse direito e, por outro lado, com vista a «criar as melhores condições para desenvolver a luta num quadro de unidade».

A marcação da reunião para ontem foi vista como um recuo patronal, com o sindicato a insistir no apelo à ampla recolha de postais assinados. Este apelo ganhou mais força depois de, em meados de Janeiro, a Medway ter divulgado um balanço dos sucessos obtidos desde a criação da empresa, que levou o sindicato a comentar que «tudo cresce, menos os salários».

Para a greve de dia 3 foram reafirmadas as reivindicações, designadamente, um aumento salarial de 100 euros, acrescido de dois por cento, assegurando que a remuneração mínima na empresa será de 850 euros.

Também para ontem, estavam agendadas reuniões de negociação salarial na Carris e nos CTT Correios.

Para o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal, a administração da Carris não pode persistir em «empurrar com a barriga», esperando que ontem fosse apresentada «uma proposta de actualização salarial ao nível daquilo que os trabalhadores merecem e exigem».

Nos CTT, a administração propôs, na primeira reunião, dia 3, um aumento de 0,33 por cento. Por um serviço essencial e estarem na linha da frente, «a paga são salários quase de miséria e com cada vez mais trabalhadores dos CTT a ganharem o salário mínimo», comentou a Fectrans.

Esta situação torna-se particularmente evidente nas empresas de transporte privado rodoviário de passageiros. Segundo a federação, o salário-base de um motorista valia 159 por cento do salário mínimo nacional, em 1999, mas hoje representa apenas 105 por cento deste.

 



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