Fora de prazo
O Dia Internacional da Tolerância assinalou-se esta segunda-feira, 16, quando faz um quarto de século que os estados-membros da UNESCO, reunidos em Paris, aprovaram a Declaração de Princípios sobre a Tolerância. Os signatários comprometeram-se então a «tomar todas as medidas positivas necessárias para promover a tolerância nas nossas sociedades», considerando-a «não somente um princípio relevante mas igualmente uma condição necessária para a paz e para o progresso económico e social de todos os povos».
Definindo tolerância como o «respeito, a aceitação e o apreço pela riqueza e pela diversidade das culturas do nosso mundo, dos nossos modos de expressão e das nossas maneiras de exprimir a nossa qualidade de seres humanos», o texto sublinha que a tolerância «é o sustentáculo dos direitos humanos, do pluralismo (inclusive o pluralismo cultural), da democracia e do Estado de Direito».
A educação é o meio mais eficaz de prevenir a intolerância, considera a Declaração, que aponta como primeira etapa «ensinar aos indivíduos quais são os seus direitos e as suas liberdades a fim de assegurar o seu respeito e de incentivar a vontade de proteger os direitos e liberdades dos outros».
Passados 25 anos, a intolerância, a xenofobia, o racismo, os nacionalismos exacerbados andam de mãos dadas com a radicalização, pelo que forçoso se torna concluir que os poderes instituídos falharam na educação que seria suposto fomentarem.
Sabendo-se que a ignorância é a barriga do medo e do ódio ao que é diferente, cabe perguntar a quem interessa fomentá-la. Em tempos de pandemias e vacinas, vale a pena reflectir na advertência de Noam Chomsky sobre a Europa parecer estar a entrar numa fase em que a vacina da bestialidade do nazi-fascismo está a passar de prazo.