• Filipe Diniz

Dois presidentes

Dois presidentes da república monopolizam os noticiários: o nosso (porque está em todas) e Trump (porque parece que não quer deixar o lugar).

No caso de Trump já se percebeu a linha dos grandes media: não há defeito pessoal que não tenha. Quanto aos defeitos políticos, quanto menos se falar deles melhor, porque quem o vem substituir partilha iguais ou piores. Colocados no poder pela classe dominante da principal potência imperialista, é ao seu serviço que actuam. Os opinadores carregam na grotesca imagem de Trump para dar lustro ao que se segue. E há coisas bem caricatas. Veja-se por exemplo a inenarrável Teresa de Sousa (Público, 15.11.2020): trata-se «do país mais poderoso do mundo» […] «que continua a ser o principal responsável pela segurança internacional». Felizmente, acha ela, que os militares não devem aceitar participar num golpe para manter Trump no poder, porque «não é essa a tradição americana». A potência responsável por quase incontáveis agressões militares, que se alia com o terrorismo internacional e o crime organizado, que tem animado golpes fascistas apoiados por militares um pouco por todo o mundo, é a «principal responsável pela segurança internacional» e não tem essa «tradição». Logo se verá se a «tradição» não lhes entra pela casa dentro, para manter Trump ou para o tirar do lugar.

Quanto ao de cá, vieram-lhe novamente as «percepções». Já as enunciara quanto à Festa do Avante!, reaparecem a propósito do próximo Congresso do Partido. Escusa o PR de se preocupar com a «autoridade moral» do PCP. Não pode haver maior autoridade moral do que a de quem, não prescindindo dos cuidados necessários, não prescinde também de exercer direitos e liberdades que alguns gostariam de ver definitivamente confinados.




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