O povo da Colômbia vencerá!

Albano Nunes

O go­verno de Ivan Duque re­cusa-se a cum­prir o acordo com as FARC

A avas­sa­la­dora me­di­a­ti­zação da farsa elei­toral nos EUA não pode fazer es­quecer nem os crimes que o im­pe­ri­a­lismo di­a­ri­a­mente pra­tica por esse mundo fora nem a per­sis­tente e di­ver­si­fi­cada luta dos tra­ba­lha­dores e dos povos pelos seus di­reitos. Entre tantos ou­tros, é o caso da Colômbia, um país onde a vi­o­lência da ex­plo­ração e da re­pressão levou à cri­ação das FARC-EP e à mais longa luta guer­ri­lheira na Amé­rica La­tina, num con­fronto ar­mado que ter­minou em 2016 com o Acordo de Paz de Ha­vana, um di­fícil e ar­ris­cado com­pro­misso que, por ir ao en­contro de al­gumas das mais sen­tidas rei­vin­di­ca­ções po­pu­lares re­la­tivas ao re­gime de­mo­crá­tico e ao de­sen­vol­vi­mento eco­nó­mico e so­cial, o go­verno de Ivan Duque se re­cusa a cum­prir, ao mesmo tempo que deixa campo livre e ali­menta a onda de crimes dos pa­ra­mi­li­tares fas­cistas (desde a sua as­si­na­tura já foram as­sas­si­nados mais de 234 ex-guer­ri­lheiros e mais de 1040 di­ri­gentes e ac­ti­vistas po­lí­ticos e so­ciais), fo­menta o roubo de terras aos cam­po­neses, pro­tege os tra­fi­cantes de droga, cede aos EUA nu­me­rosas bases mi­li­tares, as­socia for­mal­mente o país à NATO e torna a Colômbia na prin­cipal pla­ta­forma de cons­pi­ração e agressão contra a Ve­ne­zuela Bo­li­va­riana.

Esta é a trá­gica re­a­li­dade frente à qual o povo co­lom­biano, com a des­ta­cada con­tri­buição do his­tó­rico e he­róico Par­tido Co­mu­nista Co­lom­biano, nunca cruzou os braços, e que nas úl­timas se­manas, no­me­a­da­mente com a Greve Na­ci­onal de 21 de Ou­tubro e a Marcha Pela Vida e pela Paz dos ex-guer­ri­lheiros das FARC-EP, as­sumiu uma ex­tra­or­di­nária ex­pressão.

Qual vai ser a po­sição do pró­ximo go­verno dos EUA pe­rante esta mar­ti­ri­zada Colômbia que su­ces­sivas ad­mi­nis­tra­ções de De­mo­cratas ou Re­pu­bli­canos trans­for­maram num bas­tião da po­lí­tica de ex­plo­ração e agressão do im­pe­ri­a­lismo norte-ame­ri­cano na Amé­rica La­tina?

Em geral, a der­rota de Trump sus­citou ge­nuínos sen­ti­mentos de alívio entre as forças de­mo­crá­ticas e pro­gres­sistas, mas sus­citou também falsas ex­pec­ta­tivas e ilu­sões que os ser­ven­tuá­rios do ca­pital se em­pe­nham em am­pliar. A ad­mi­nis­tração Trump foi tão re­ac­ci­o­nária, ar­ro­gante e agres­siva, e as forças que guin­daram Trump à Pre­si­dência e que este ali­mentou são tão pe­ri­go­sa­mente ra­cistas e fas­cistas, que fosse quem fosse que vi­esse de­pois não podia deixar de ali­mentar al­guma es­pe­rança. E tanto mais quanto tem es­tado em curso uma bem or­ques­trada cam­panha que pro­move a tese de que a ad­mi­nis­tração que está de saída foi um mero «aci­dente» no «exem­plar per­curso da de­mo­cracia ame­ri­cana», esse «in­dis­pen­sável» guia de um «Oci­dente cujo de­clínio é im­pe­rioso deter». A pre­si­dência de Biden re­pre­sen­taria um «re­gresso à nor­ma­li­dade» e a pos­si­bi­li­dade de «res­taurar a imagem e a li­de­rança ame­ri­cana no mundo» (T. de Sousa, Pú­blico, 25.10.20) e tantos ou­tros co­men­ta­dores en­car­tados.

É com esta «nor­ma­li­dade» que so­nham os apo­lo­getas do Ca­pital, que se de­su­nham na de­fesa da «de­mo­cracia» na Síria, na Ve­ne­zuela, na Bi­e­lor­rússia e em todos os países que o im­pe­ri­a­lismo pre­tende sub­meter, mas não en­xergam os crimes na Colômbia. A His­tória en­sina, porém, que a ver­dade pre­va­le­cerá e que virá o dia em que a per­sis­tente e he­róica luta do povo co­lom­biano, com a nossa so­li­da­ri­e­dade, triun­fará.




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