Abjecções e pulsões de direita
O cronista das causas e políticas de direita no Público, J. M. Tavares, escreveu, a propósito dos acordos para o governo regional nos Açores, que as «abjecções» do «Chega», não são mais graves do que as que atribui ao PCP (velhas calúnias do fascismo), assim promove os acordos PSD/CDS e sucedâneos, que sempre defendeu. Lamenta apenas que tenha sido «cedo de mais» e que fique a nu o plano para 2023 – de recuperação demagógica pelos sucedâneos «anti-sistema» e «mediáticos» dos votos dos «desiludidos» com a sua política, para uma nova coligação reaccionária no governo do País.
De facto, o acordo para quatro anos da direita e seus sucedâneos nos Açores é de raiz bem diferente da nova fase da vida política nacional (2015-2019) e comprova que as forças da demagogia reaccionária são instrumentais e estão de volta à «barriga da mãe» (PSD/CDS). A abrangência do acordo a questões de revisão constitucional, como a redução do número de deputados (e da representatividade democrática), encaixa na agenda da direita, interrompida em 2015, no projecto do Presidente Sousa desde 1997 e nas pulsões de um seu putativo segundo mandato de reconduzir o seu PSD ao governo.
Neste quadro, a decisão do «estado de emergência» do Governo PS, com o PR e o PSD/CDS, sem respostas para a crise económica e social e a grave situação no Serviço Nacional de Saúde, constitui um contributo, opaco e preocupante, para o clima de medo e que potencia todas as dificuldades. É um passo da pulsão securitária de direita, e é o PS que lhe abre caminho e que até considera uma duração quase ilimitada.
Mas as abjecções e pulsões de direita e da política de direita podem contar com a luta dos trabalhadores e do povo e com a afirmação dos valores de Abril no futuro de Portugal.