(Absurdo) Ou talvez não
O agravamento da epidemia, com o crescimento significativo, embora previsível, do número de pessoas infetadas (e internadas) com a doença da COVID-19 não pode deixar de constituir motivo de preocupação. O povo português foi e é o primeiro a reconhecê-lo como se verificou ao longo dos últimos 8 meses em que se aprendeu a viver com regras e prevenções que todos estaríamos longe de imaginar. No momento actual, exigia-se medidas urgentes que reforçassem a capacidade de resposta do SNS para atender todo o tipo de necessidades, que se colocassem mais trabalhadores nas escolas públicas ou se alargasse a frequência dos transportes públicos, só para dar três exemplos. Mas o discurso e a prática têm sido outros.
Submetendo-se e alinhando com o discurso do medo e da desinformação, semeados a toda a hora pelos «Alerta CM’s» desta vida, o Governo passa ao lado das grandes questões a que é preciso dar resposta, e cavalga a onda securitária, proibicionista, e de certa forma reaccionária, voltando a acolher a iniciativa do Presidente da República para declarar novo Estado de emergência.
A vertigem que se verifica para impor restrições desproporcionais e arbitrárias por parte do Governo PS, de resto sempre acompanhados por PSD e CDS é uma forma de responder ao agravamento da situação defendendo os interesses do capital. Por mais absurdas que possam parecer muitas das medidas, lá encontramos sempre, em momentos de agudo confronto de interesses, a limitação de direitos e liberdades (não dos comunistas, mas de todos os cidadãos) e a preservação dos interesses dos grupos monopolistas (de que o «valor justo» a que o decreto do Estado de Emergência faz alusão para o desvio dos recursos do SNS para os grupos privados da saúde é cabal exemplo).
A resposta à crise sanitária reclama outras opções para assegurar que se combate o vírus mas que simultaneamente se retomam as actividades mais diversas, essenciais à vida e à saúde do povo português.