Haverá projecto mais humanista?

Manuel Rodrigues

Mais dois estudos, desta vez do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, recentemente divulgados, pondo o dedo numa velha ferida, vêm confirmar o óbvio: que as crianças que nascem em contextos sócio-económicos menos favorecidos apresentam, já aos sete e aos 10 anos, alterações biológicas que indicam que estão a crescer numa trajectória de saúde mais adversa e que podem, assim, ter maior risco de desenvolver doenças na idade adulta.

E apontam-se algumas das doenças que estas crianças correm maiores riscos de contrair em adulto, nomeadamente cardiovasculares. Mas o estudo vai mais longe e mostra que o ambiente sócio-económico em que a criança nasce parece condicionar alterações biológicas que se manifestam já na infância. Uma sociedade mais igualitária – referem os autores do estudo – ajudará a ultrapassar as desigualdades em saúde que se iniciam e manifestam bem cedo.

Dito por outras palavras e acrescentando ao estudo aquilo que é uma constatação diária na vida dos trabalhadores, podemos afirmar que o emprego dos pais (com direitos, é claro), os salários, os horários e condições de trabalho, as pensões de reforma dos avós, ou os direitos das crianças, dos pais e dos avós à educação, à saúde, à protecção social, à habitação e à cultura são questões centrais para assegurar condições de desenvolvimento sócio-económico e cultural que previnam essas doenças e a trajectória infernal de privações, debilidades, delinquência e até mesmo a morte que atinge largas centenas de milhões de crianças no mundo inteiro.

Nunca esquecendo que a solução de fundo para este problema é mesmo acabar com a exploração do homem pelo homem, pondo de pé uma sociedade nova com liberdade, democracia e socialismo – a causa pela qual o PCP se vem batendo ao logo dos seus quase 100 anos de luta. Haverá projecto mais humanista do que este?




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