Conselho Spaghetti

Manuel Gouveia

Parece que foram 5 dias e 4 noites. Para quem seguiu o filme nos média pareceram mais dias e mais noites, o que é normal: sem Leone, sem Morricone e sem Eastwood aquilo estava condenado a ser uma coisa pastosa e intragável.

Havia os bons: os «nossos», um conceito muito lato de «nós», que vai do Costa ao Rangel, e não exclui o CDS ou o BE; um «nós» que integra todos os que estão submetidos ao processo de integração capitalista. Havia os «vilões», que eram muitos e «frugais», e acima deles todos havia o «Mau», com um holandês qualquer a fazer o papel de Lee Van Cleef. Lutavam todos por um punhado de euros. (E naturalmente não havia comunistas, pois que faria um comunista num filme de cowboys?)

E assim andámos uma semana embalados em milhares de milhões de euros, em patrioteiras declarações, em encenadas preocupações com os trabalhadores e o povo, e à espera do inevitável momento em que o «Bom» derrotaria o «Mau» e cavalgaria com os euros para este Oeste continental que habitamos.

Tudo promovendo ainda uma mentira imensa e estruturante: que somos um país «pobrezinho», condenado a sobreviver de esmolas, condenado a procurar quem melhor (com mais eficácia ou mais dignidade) pedinche o apoio dos «ricos».

Silenciada nos média, mas elevando-se, umas vezes em murmúrios outras vezes aos gritos, das «vinhas sobredos vales socalcos searas serras atalhos veredas lezírias e praias claras» deste nosso rico país, a cristalina verdade continua a ser que o futuro de Portugal depende de se libertar do domínio do grande capital – internacional, europeu e/ou nacional – e dos seus múltiplos lacaios. É nessa verdade que fincamos os nossos pés para o trabalho do Partido.

O resto são filmes de cowboys.

 



Mais artigos de: Opinião

Diferente dos outros…

A meio caminho da realização do XXI Congresso do nosso Partido, olhar para o processo que se iniciou há cerca de quatro meses e meio e tem outros tantos pela frente permite-nos questionar o que é que tem este Partido que é tão diferente de todos os outros.

Os acordos da «peste»

«O PSD não tem peste», diz António Costa e Rui Rio replica «o PS (também) não tem peste», ficamos assim a saber que, em matéria de «peste», PS e PSD estão de acordo. E não se trata de um mero acordo semântico ou pontual, como pretendem fazer crer, explicando o PS que quem vê um «romance» de «bloco central» está a ver...

Como ignorar?

O Governo divulgou aquilo que designou de Visão Estratégica para o plano de recuperação Económica de Portugal 2020-2030. Um documento «de autor», desligado de quaisquer estruturas de planeamento de políticas públicas que, em bom rigor, deveriam existir no nosso País. Não se questionam algumas das suas óbvias...

A nova «cruzada»

Cientes da crise estrutural do capitalismo, entre lamentos, apelos pungidos e actos de fé, os freteiros do imperialismo ganham alento, juntando-se em coro, sob a batuta da Administração Trump, numa autêntica «cruzada» contra a República Popular da China. Parecem já longínquos os tempos em que as grandes potências...

A hegemonia

Manuel passou 23 anos nas prisões do fascismo, dez dos quais no Campo de Concentração do Tarrafal, o mesmo onde Francisco esteve só, à espera de ser deportado para o continente. Ao campo da morte lenta chegou Sérgio já depois de ter cumprido a totalidade da pena à qual o tribunal o tinha condenado e de lá saíram Alberto...