Conselho Spaghetti
Parece que foram 5 dias e 4 noites. Para quem seguiu o filme nos média pareceram mais dias e mais noites, o que é normal: sem Leone, sem Morricone e sem Eastwood aquilo estava condenado a ser uma coisa pastosa e intragável.
Havia os bons: os «nossos», um conceito muito lato de «nós», que vai do Costa ao Rangel, e não exclui o CDS ou o BE; um «nós» que integra todos os que estão submetidos ao processo de integração capitalista. Havia os «vilões», que eram muitos e «frugais», e acima deles todos havia o «Mau», com um holandês qualquer a fazer o papel de Lee Van Cleef. Lutavam todos por um punhado de euros. (E naturalmente não havia comunistas, pois que faria um comunista num filme de cowboys?)
E assim andámos uma semana embalados em milhares de milhões de euros, em patrioteiras declarações, em encenadas preocupações com os trabalhadores e o povo, e à espera do inevitável momento em que o «Bom» derrotaria o «Mau» e cavalgaria com os euros para este Oeste continental que habitamos.
Tudo promovendo ainda uma mentira imensa e estruturante: que somos um país «pobrezinho», condenado a sobreviver de esmolas, condenado a procurar quem melhor (com mais eficácia ou mais dignidade) pedinche o apoio dos «ricos».
Silenciada nos média, mas elevando-se, umas vezes em murmúrios outras vezes aos gritos, das «vinhas sobredos vales socalcos searas serras atalhos veredas lezírias e praias claras» deste nosso rico país, a cristalina verdade continua a ser que o futuro de Portugal depende de se libertar do domínio do grande capital – internacional, europeu e/ou nacional – e dos seus múltiplos lacaios. É nessa verdade que fincamos os nossos pés para o trabalho do Partido.
O resto são filmes de cowboys.