A nova «cruzada»
A política agressiva dos EUA contra a China traduz desespero
Cientes da crise estrutural do capitalismo, entre lamentos, apelos pungidos e actos de fé, os freteiros do imperialismo ganham alento, juntando-se em coro, sob a batuta da Administração Trump, numa autêntica «cruzada» contra a República Popular da China.
Parecem já longínquos os tempos em que as grandes potências capitalistas – com os EUA à cabeça –, ditavam unilateralmente os termos da globalização capitalista, das regras da liberalização do comércio mundial, da deslocalização da produção e das cadeias de valor, pensando impor para todo o sempre e ao nível mundial – incluindo sobre a China – as bases do seu domínio económico e político.
Recorde-se que, perante a tendência do declínio relativo dos EUA e a emergência da China no plano mundial, já a Administração Obama se havia precipitado na denominada política de «contenção» deste país asiático, com iniciativas como a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) – descrita como a «NATO económica» por Hillary Clinton – ou a Parceria Transpacífica (TPP), com a sua correspondente dimensão militar, o chamado «pivô asiático». Uma política que a Administração Trump levaria a um crescente e aberto confronto, face à erupção de uma nova e anunciada crise económica – que o surto de COVID-19 viria a precipitar e a agravar.
Por muito que custe aos arautos do capitalismo, a situação criada com o surto colocou em flagrante contraste a capacidade de resposta e a acção de solidariedade e de cooperação demonstradas pela China – assim como por outros países –, e a incapacidade de resposta e a postura do «salve-se quem puder» evidenciada pelos EUA, pelas potências da UE e pelas instituições por estes dominadas.
Por maiores que sejam as campanhas de ocultação da realidade, a verdade é que o surto veio expor ainda mais a natureza exploradora, desumana e parasitária de um capitalismo em profunda crise, que não só não dá resposta aos problemas e flagelos que atingem a Humanidade, como usa a actual situação para impor uma ainda maior e mais acelerada concentração e centralização de capital, à custa de uma cada vez mais violenta exploração e de acrescidos ataques aos direitos, às liberdades, à democracia, à soberania e independência dos Estados.
É neste contexto que as potências imperialistas – particularmente os EUA –, encaram os avanços alcançados pela China e o seu crescente papel no plano internacional como um obstáculo à imposição do seu domínio hegemónico mundial. Por isso, incrementam uma estratégia de confrontação contra a China, procurando condicionar, travar e, se possível, impedir o seu desenvolvimento económico, tecnológico e social e contrariar tendências que possam abrir perspectivas positivas na evolução da situação internacional.
Da promoção de operações de provocação e desestabilização – como em Hong Kong ou em Xinjiang –, à aplicação de medidas e sanções com carácter extra-territorial, da chantagem com base no domínio do dólar e do sistema financeiro, à ameaça do não cumprimento de obrigações e compromissos de âmbito internacional, da mais descarada desinformação e manipulação, à promoção e apelo ao mais primário anticomunismo, os EUA não olham a meios para incrementar, arregimentar em torno de si e impor a sua política agressiva contra a China – uma postura que mais do que força, traduz um sinal do desespero dos EUA.