Confiança e luta

Jaime Toga (Membro da Comissão Política)

Os últimos meses evidenciaram, uma vez mais, o papel único do PCP na vida nacional. Perante uma crise sanitária com sérias consequências no plano económico e social, o PCP distinguiu-se na intervenção, desde o primeiro momento, associando a defesa de respostas clínicas e sanitárias com a apresentação de propostas em defesa do emprego, dos salários e do apoio a todos os atingidos pelo surto epidémico.

O PCP intervém sempre na defesa de uma vida melhor

Assumindo a sua natureza de classe, o PCP defendeu desde o primeiro momento a necessidade de proibir os despedimentos e salvaguardar o pagamento integral dos salários, ao mesmo tempo que se destacou na intervenção a denunciar os ataques e atropelos aos direitos laborais, afirmando que «no combate ao vírus, nem um direito a menos». Mas garantiu igualmente soluções para que todos os sectores e camadas não monopolistas, atingidos pelas consequências da situação epidemiológica, tivessem apoio e não fossem abandonados nem atirados para o poço sem fundo do recurso aos créditos bancários.

Quando se procurou generalizar as teses de que estávamos «todos no mesmo barco», foi o PCP que levantou a voz para advertir que a emergência sanitária não poderia pôr em causa os direitos nem suspender a democracia. Foram os comunistas que se empenharam decididamente em assinalar o 25 de Abril e o 1.º de Maio, afirmando que os direitos não estavam de quarentena (e a luta também não).

Perante ataques, mentiras e deturpações de muitos, o PCP confirmou, uma vez mais, o quanto é importante e necessário aos trabalhadores e ao povo. No momento em que mais precisaram, o PCP esteve presente. Interveio em defesa de uma vida melhor.

Avançamos!

É com esta determinação que, olhando para o momento actual e exigindo respostas de fundo a todas as questões estruturais, o PCP insiste na necessidade de medidas de prevenção e mitigação da doença – nomeadamente no plano dos locais de trabalho, habitacional e dos transportes. Mas acrescenta igualmente a necessidade de fazer a pedagogia da protecção e dinamização da actividade económica e social, cultural e desportiva, o lazer e o convívio, fundamentais para a vida, a saúde e o bem-estar.

É com a confiança decorrente de uma história ímpar que avançamos, afirmando a necessidade de um verdadeiro programa de desenvolvimento do País, que promova a recuperação e desenvolvimento económico, assegurando nas mãos do Estado os instrumentos apropriados e não dependentes dos critérios e decisões de terceiros. Um programa que olhe para os problemas do País e assuma as respostas necessárias, sem condicionamentos nem constrangimentos, dando centralidade ao trabalho e aos trabalhadores, assegurando os serviços públicos e funções sociais do estado, promovendo e dinamizando a produção nacional, assegurando a justiça social.

É com confiança que lutamos por uma vida melhor e que olhamos para o Partido, para a nossa organização, e cuidamos do seu funcionamento democrático e do seu reforço, com a responsabilização de novos quadros e criação de novas células, ao mesmo tempo que preparamos o XXI Congresso e erguemos a nossa Festa do Avante!, garantindo respostas a todas as exigências actuais.

Há força bastante

É com esta mesma confiança que nos dirigimos a todos os trabalhadores, aos democratas e patriotas, aos homens e mulheres seriamente empenhados em romper com a política de direita e assegurar o desenvolvimento soberano do nosso País e apelamos à mobilização de todos. Uma mobilização em torno, da nossa Constituição, dos valores de Abril, de um desenvolvimento soberano que aproveite todas as potencialidades nacionais.

É com a confiança decorrente do nosso percurso e da justeza das nossas propostas que avançamos, certos de que há gente e força bastantes para abrir um caminho alternativo, com base numa política patriótica e de esquerda.




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