Contra o branqueamento do fascismo
O Público escolheu trazer para a primeira página da sua edição de ontem, 6 de Maio de 2020, os termos exactos que o regime fascista usava para encarcerar aqueles que, ao longo de 48 anos, lutaram contra os seus crimes. Em contraste com a própria notícia inserida na edição, a opção pelo título de apresentar o julgamento de Álvaro Cunhal no tribunal fascista 70 anos depois imputando-lhe «crimes contra o Estado», para além de desrespeitar uma vida inteiramente dedicada à luta pela liberdade e democracia, constitui mais que um branqueamento dos crimes do fascismo, da qual a tortura e a prisão (por 11 anos) de Álvaro Cunhal são um exemplo lapidar. A primeira página do Público não insulta apenas a memória histórica e os muitos que, como Álvaro Cunhal, foram condenado pelo regime fascista por «crimes contra o Estado». Ontem como hoje o que se impõe é a atitude firme contra o branqueamento do fascismo e a denúncia dos seus crimes.