Na indústria, comércio e transportes o momento é de alerta e luta
VIGILÂNCIA O reflexo da situação de alerta, devido à pandemia de COVID-19, nas empresas e no dia-a-dia dos trabalhadores levou a Fiequimetal, o CESP e a Fectrans a reforçarem a intervenção.
«Os lucros continuam a somar, e nós somamos riscos e cansaço»
LUSA
«Apesar da situação anómala com que estamos confrontados, o momento é também de luta», a qual é, «desde logo, pela exigência da implementação de todas a medidas que visem a protecção dos trabalhadores», afirmou esta terça-feira a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações.
Num comunicado, o Secretariado da Fectrans/CGTP-IN indicou ainda como objectivos: o combate a «todo o aproveitamento patronal da situação, para impor violações às convenções colectivas e à legislação laboral» ou para impor despedimentos e lay-off; e a garantia de manutenção dos rendimentos dos trabalhadores, «exigindo-se que o Governo faça opções políticas» para garantir a totalidade dos salários.
No final da sua reunião de dia 17, o órgão dirigente da Fectrans saudou os trabalhadores do sector, que «continuam a procurar assegurar o serviço público e a actividade das empresas», apesar do «atraso ou falta de implementação das medidas no âmbito das decisões da Direcção-Geral da Saúde».
Apelando a que os trabalhadores tomem «todas as medidas» para sua protecção, a federação afirma que «é legítima toda a acção de recusa do desempenho das funções, quando não estão criadas as condições de segurança, nomeadamente, se não houver “kits” de protecção».
A Fectrans decidiu suspender as acções previstas, incluindo a greve na TST, marcada para 31 de Março e 1 de Abril.
A federação resolveu igualmente «reforçar a intervenção sindical nos locais de trabalho» e adoptar «medidas excepcionais», de modo a criar «todas as condições para acompanhamento dos trabalhadores».
O Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços confirmou terça-feira a greve de ontem, dia 18, nos supermercados Auchan, notando que «os lucros continuam a somar, e nós somamos riscos e cansaço». O CESP/CGTP-IN sublinhou que a luta «é justa, por isso iremos mantê-la, até que a empresa nos respeite», e lembrou que neste grupo vigora o salário-base mais baixo da grande distribuição comercial.
«Exaustos e, em muitos casos, sem condições de protecção do risco nos seus locais de trabalho», os trabalhadores «tudo têm feito para que não faltem produtos alimentares nas prateleiras dos supermercados e não faltem cuidados básicos de vida e saúde aos nossos cidadãos», afirmou o CESP, na segunda-feira. Numa nota em que saudou todos os que trabalham no comércio e serviços, assinalou que, «apesar de muito desvalorizados no dia-a-dia em termos salariais e nos seus horários de trabalho, são pilar fundamental na crise actual».
O sindicato exige que sejam reavaliadas «as condições de funcionamento de todas as unidades comerciais, sempre garantindo a protecção e minimização dos riscos de contágio e a salvaguarda do rendimento dos trabalhadores».
«No mínimo, é uma afronta» o facto de patrões estarem a «propor o pagamento de prémios a quem não falte», protesta o CESP, recusando «chantagem» das empresas «para aumentar ainda mais as cargas horárias, retirar dias de descanso ou atribuir prémios aos trabalhadores que não faltem neste período».
O sindicato «continuará a funcionar diariamente para assegurar todo o apoio aos trabalhadores».
Não pode abrandar
«A vigilância não pode abrandar! A luta não pode parar!» – assim conclui o comunicado que a Fiequimetal/CGTP-IN emitiu na segunda-feira, alertando que «a COVID-19 não pode servir de pretexto para retirar direitos aos trabalhadores, nomeadamente, entre outras tropelias patronais já detectadas: forçar o uso de dias de férias; alterar e agravar horários de trabalho; introduzir «à força» o regime de trabalho por turnos; reduzir a retribuição; recorrer ao lay-off sem justificação devidamente fundamentada».
A federação realça que o patronato «é responsável pela protecção da saúde dos trabalhadores ao seu serviço» e deve adoptar nas empresas «todas as medidas de prevenção que decorrem das orientações da Direcção-Geral da Saúde».
«A resposta àqueles patrões que já começaram a agitar o papão da crise passa por reafirmar a exigência de aumento efectivo dos salários em 90 euros», que será «uma forma de contribuir para incrementar a procura interna, quer nesta fase, em que a actividade económica regista uma diminuição, quer no futuro próximo».
Além do mais, «nos últimos anos aumentaram de forma exponencial os lucros das empresas», enquanto «os salários cresceram de forma tímida».