Plenário admite greve na Panasqueira pelo caderno reivindicativo
LUTA Os trabalhadores da Beralt Tin and Wolfram (Portugal), reunidos anteontem, exigiram resposta positiva ao caderno reivindicativo e cumprimento integral das orientações da Direcção-Geral da Saúde.
Os sindicatos respeitam as precauções sanitárias, mas recusam o pânico
A proposta salarial «insuficiente» da concessionária das Minas da Panasqueira «pode levar à greve», afirma-se na nota da Fiequimetal/CGTP-IN, que divulgou ontem as conclusões do plenário de dia 17 e as circunstâncias da sua realização.
Realizado em duas sessões, para ter a participação dos trabalhadores dos dois turnos, o plenário mandatou o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira «para, em momento oportuno, emitir um pré-aviso de greve, caso não seja satisfatório o resultado de uma reunião a marcar com a administração».
O sindicato «ficou igualmente mandatado no sentido de diligenciar, junto das entidades competentes, para que sejam adoptadas na empresa todas as medidas de prevenção e protecção dos trabalhadores e suas famílias, recomendadas pelas entidades oficiais, face à pandemia de COVID-19».
A federação explica que o plenário geral de trabalhadores da BTWP «foi convocado depois de a empresa do grupo canadiano Almonty ter alterado a sua proposta salarial em uma décima de ponto percentual, para um por cento, o que representaria 25 cêntimos por dia para a maioria» do pessoal.
Na resolução são reiteradas «as propostas contidas no Caderno Reivindicativo para 2020, nomeadamente a actualização salarial de 90 euros para todos os trabalhadores».
«Em resposta a uma tentativa patronal de impedir o plenário, a pretexto dos riscos sanitários», o STIM esclareceu os motivos por que não cedeu e manteve a reunião. A federação divulgou o ofício enviado à administração, onde o sindicato observou que «as duas sessões de Plenário Geral de Trabalhadores agendadas para o próximo dia 17 de Março, mesmo que tivessem a participação da totalidade dos trabalhadores da empresa, ficariam muito aquém do número de pessoas previsto na orientação da DGS». Assinalou ainda que «a empresa continua a laborar normalmente e os trabalhadores estão em permanente contacto em vários momentos, nas frentes de trabalho, no transporte dentro da empresa e nos balneários, etc.».
Estes trabalhadores «são os mais mal pagos de todo o País» no sector mineiro, destacou um dirigente do STIM, em declarações à agência Lusa, após o plenário.
Negociação
a fingir
A administração da EDP «finge que negoceia», protestou no dia 11 a comissão negociadora sindical (Fiequimetal), após mais uma reunião do processo de revisão salarial. Numa informação aos trabalhadores, afirma-se que o «ajustamento» da posição patronal «não mereceu sequer resposta», uma vez que, «para a maioria dos trabalhadores, não representa nenhuma alteração àquilo que já tinha sido apresentado».
Os sindicatos decidiram prosseguir os plenários, para analisar a situação e decidir com os trabalhadores a posição a tomar. «Devido às imposições da administração em matéria de realização de reuniões», os sindicatos «continuarão a realizar contactos com os trabalhadores, tomando as devidas precauções sanitárias, mas sem entrar em pânico».
Em alguns casos, «os plenários podem ser realizados em salas maiores, permitindo cumprir as distâncias preconizadas pela administração». Na falta de sala, «é sempre possível realizar plenários num espaço exterior, em instalações da empresa, ou mesmo na rua, onde as directivas da administração não vigoram».
Ainda em relação aos procedimentos adoptados para responder à pandemia de COVID-19, a Fiequimetal «espera que as medidas agora apresentadas pela EDP como provisórias e transitórias não venham a mostrar ser uma tentativa de aplicar, para o futuro, matérias de regulação de trabalho que não estão regulamentadas».
Um alerta semelhante, relativamente a teletrabalho e encerramento de refeitórios, foi feito na informação aos trabalhadores da REN sobre a reunião negocial de dia 13, onde a administração propôs 0,5 por cento de actualização salarial. Os representantes sindicais mantiveram a reivindicação de 90 euros para todos.