Sim, houve manifestação e foi grande!
No dia 8 de Março teve lugar em Lisboa uma grande manifestação de mulheres convocada e organizada pelo Movimento Democrático de Mulheres (MDM), que juntou milhares de participantes. Uma prova inequívoca de que as mulheres estão mobilizadas, motivadas e firmes na luta pela igualdade e por direitos em relação aos seus horários, em relação aos seus salários, em relação à sua maternidade.
Antes da sua realização, o tratamento da manifestação foi nulo, optando os órgãos de comunicação social por fazer reportagens, que excluindo deliberadamente o trabalho e a realidade das mulheres trabalhadoras, se preocupavam, no essencial, com o acesso das mulheres aos lugares de topo das empresas e com a desigualdade salarial entre gestores e gestoras, ou com a participação das mulheres na política e especificamente nos lugares relacionados com o poder executivo e legislativo (Primeiro-ministro, ministros, Presidente da República).
A realidade dura das mulheres trabalhadoras que acumulam dois trabalhos com a vida familiar, que têm que esticar o seu salário para fazer face às despesas do dia-a-dia, que enfrentam imensas dificuldades no acesso às creches, à saúde, à habitação, que se vêem empurradas para as mais infames formas de exploração como é o caso da prostituição, que são vítimas de diversas formas de violência como a doméstica. Essa realidade não teve o tratamento que merecia e que se impunha.
A cobertura à Manifestação, salvo excepções, resumiu-se a quadradinhos na imprensa escrita. Na televisão, salvo excepção da RTP, os canais ignoraram por completo a Manifestação do MDM, privilegiando outra acção com objectivos distintos e expressão menor. Uma grande manifestação construída por cada activista, por mais que a queiram ocultar, para cujo sucesso não contribuiu em nada a comunicação social.
Tivesse sido dedicado metade do tratamento que merecem outras questões bem menos relevantes, e certamente aquelas pessoas a quem não chegou o telefonema, o panfleto, a conversa, ter-se-iam juntado também a esta Manifestação.
Registe-se uma vez mais os critérios da comunicação social quando se trata de dar expressão a direitos, à exploração laboral, ao combate à precariedade ou à igualdade na vida e no trabalho. Da preferência à promoção de agendas retrógradas e de retrocesso social maquilhadas de novas, modernas, ao alimentar de futilidades ou ao agigantar de temor e medos, tudo faz parte dessa estratégia para manter e agravar a exploração e as desigualdades.
Aos que estiveram na manifestação, há por isso uma tarefa fundamental: a sua divulgação por todos os meios e o Avante! é um precioso instrumento para essa tarefa.