Colômbia começa 2020 em ambiente de violência
ASSASSINATOS Apesar dos reiterados apelos à paz durante os recentes protestos anti-governamentais, a Colômbia inicia o novo ano num contexto marcado por assassinatos de ex-guerrilheiros, indígenas e líderes sociais.
Pelo menos 77 ex-guerrilheiros das FARC-EP foram assassinados em 2019
Na Colômbia, como aconteceu ao longo de todo o ano de 2019, a violência foi notícia desde os primeiros dias de Dezembro, já que, com poucas horas de diferença, no dia 3 soube-se que foram mortos um líder social, um ex-guerrilheiro e um autarca. Mais tarde, o Conselho Regional Indígena de Cauca condenou o assassinato de Jimmy Alberto Pacue, outro nativo, num país onde as comunidades indígenas são vítimas frequentes da violência.
Em meados do mês, o partido FARC denunciou que o presidente Iván Duque «continua a incumprir o Acordo de Paz», assinado em 2016 pelo Estado e a ex-guerrilha FARC-EP. «Não garante a vida nem a segurança das pessoas que estão a ser reintegradas. O companheiro Manuel González foi assassinado nas imediações do Espaço Territorial de Capacitação e Reincorporação da localidade de Santa Lucia, no município de Ituango, no Norte», precisou. Já nos últimos dias de Novembro a violência pôs fim à vida de vários líderes sociais.
Tudo isso tem lugar três anos depois da assinatura do acordo e 16 meses após a chegada de Duque à Casa de Nariño, a sede da presidência.
Diferentes vozes concordam que centenas de líderes sociais, indígenas e ex-guerrilheiros foram assassinados desde a assinatura do acordo porque insistem na necessidade da sua implementação integral visando concretizar uma paz com justiça social, estável e duradoura.
A persistente violência é um dos principais desafios que têm desde 1 de Janeiro as autoridades saídas das eleições regionais e locais de Outubro.
Para as Nações Unidas, 2019 foi o ano mais violento para os ex-guerrilheiros das FARC-EP. Pelo menos 77 ex-combatentes foram assassinados na Colômbia no ano passado, com o que sobe para 173 o total desde que foi assinado o acordo de paz, segundo um relatório da Missão de Verificação da ONU. O documento, que regista ainda 14 desaparecidos e 29 tentativas de homicídio, será apresentado ao Conselho de Segurança, em Nova Iorque, a 13 de Janeiro.