«Será difícil aos golpistas na Bolívia eliminar a memória histórica do povo»
MEMÓRIA O ex-presidente Evo Morales considera que os golpistas da Bolívia poderão apagar fotografias, símbolos e imagens da sua governação, mas ser-lhes-á difícil eliminar a memória histórica do povo.
«Para os golpistas, somos “selvagens”», denuncia Evo Morales
LUSA
A partir de Buenos Aires, onde se encontra refugiado, Evo Morales reafirmou em mensagens publicadas no Twitter que durante 13 anos «honrámos a confiança que os bolivianos nos deram com o seu voto, trabalhando pelo país».
Os dados económicos e sociais são inegáveis, assinalou, evocando a sua história de lutas ao longo de mais de duas décadas «contra os governos neo-liberais para travar o saque dos nossos recursos naturais».
«Recuperámos a Pátria e agora vamos defendê-la do fascismo e do racismo», escreveu, revelando que se reuniu no sábado, 4, na capital argentina, com outros dirigentes do Movimento para o Socialismo (MAS). A dupla de candidatos do MAS a uma eventual eleição presidencial será conhecida no próximo dia 19.
«Para os golpistas, somos “selvagens”, nós, que nacionalizámos e recuperámos os nossos recursos naturais e a dignidade da Pátria, os que lutámos contra a pobreza e conseguimos o maior crescimento económico da região», denunciou.
Explicou que a auto-proclamada presidente Jeanine Áñez, a «golpista», a «usurpadora», como a qualifica, «chama “selvagens” aos que formámos o primeiro movimento político indígena camponês e operário que chegou ao governo na Bolívia». E escreveu, com ironia: «“Selvagens”, nós, os anti-imperialistas, anti-capitalistas, anti-neoliberais e anti-colonialistas».
Eleições em Maio,
dizem os golpistas
As novas autoridades eleitorais, nomeadas pelo governo golpista da Bolívia, anunciaram para 3 de Maio a realização de eleições presidenciais e legislativas. Quase dois meses depois do golpe de Estado contra o presidente constitucional Evo Morales, o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) informou que o próximo escrutínio terá cadernos eleitorais «saneados».
Segundo o presidente do TSE, Salvador Romero, o «saneamento» compreende a inscrição de jovens que cumpram 18 anos até às eleições, a actualização dos domicílios e a eliminação de eleitores falecidos.
Até agora, anunciaram candidaturas à presidência da Bolívia, entre outros, Luis Camacho e Marco Pumari, os dois principais rostos visíveis do golpe de Estado que obrigou Evo Morales a pedir a renúncia do cargo a 10 de Novembro; Carlos Mesa e Gustavo Pedraza, da aliança conservadora Comunidade Cidadã, que ficaram em segundo lugar, atrás de Evo Morales e Álvaro García Linera, nas eleições de 20 de Outubro.