EUA: fortuna dos ricos cresce e desigualdades aumentam
O debate existente hoje nos Estados Unidos sobre a desigualdade de rendimentos deve recrudescer depois de se saber que o património líquido colectivo das 500 pessoas mais ricas do mundo aumentou em 2019 cerca de 25 por cento.
O serviço de notícias financeiras Bloomberg, a partir do seu índice de multi-milionários, divulgou que no ano passado essas pessoas acrescentaram 1,2 biliões (milhões de milhões) de dólares às suas fortunas, que agora somam um total de 5,9 biliões. Só 52 das 500 pessoas mais ricas do planeta viram diminuir a sua riqueza nestes 12 meses.
No total, os 172 multi-milionários dos EUA incluídos no ranking da Bloomberg agregaram 500 mil milhões de dólares às suas fortunas, encabeçados pelo criador do Facebook, Mark Zuckerberg (com um aumento de 27,3 mil milhões), e o co-fundador da Microsoft, Bill Gates (mais 22,7 mil milhões).
Parece certo que tais ganhos vão reacender o debate sobre o aumento da riqueza dos mais ricos e a desigualdade de rendimentos.
Nos EUA, os 0,1 por cento mais ricos do país controlam uma percentagem do património nacional maior do que em qualquer momento desde 1929.
Estes números surgem depois de, em Setembro último, dados oficiais confirmarem que o fosso entre ricos e pobres nos EUA cresceu em 2018 ao nível máximo em mais de 50 anos de estatísticas. O índice de Gini dos EUA, que mede a desigualdade de rendimentos, passou de 0,482 em 2017 para 0,485 em 2018.
O sítio digital de informação financeira MarketWatch advertiu em finais de Outubro do ano passado que um por cento dos lares norte-americanos, aproximadamente 1,2 milhões de famílias, tem um património líquido de 35 biliões de dólares, equivalente a 32 por cento do total do país. Ao mesmo tempo, 10 por cento da população do país possui um património de 74 biliões de dólares, 69 por cento de toda a riqueza do país, enquanto a metade mais pobre, uns 60 milhões de lares, conta apenas com dois por cento da fortuna nacional, ao redor de dois biliões de dólares.