Sombras
Com ar de novidade foi dado conta de que o PCP está «sub-representado» no comentário político. Passe o exagero do padrão de medida, «sub-representação», registe-se ainda a referência adicional que, somando para discriminação de que o PCP é alvo, comprova que o Secretário-geral e João Ferreira, surgem na cauda dos tempos que usufruíram no período mais recente. Ressalve-se, provando que não poucas vezes as aparências iludem, que a regra de «menor espaço» dedicado ao Partido conhece devidas excepções quando se trata de dedicar horas de televisão para o caluniar, de oferecer páginas a ex-membros para exercitarem a provocação, ou até de interromper ciclos de ausência em programas de «debate» sobre temas em que o PCP tem papel relevante com assomos de lembrança de que o Partido existe quando farejam que isso possa criar dificuldades.
Não é de hoje, nem se perspectiva que feneça amanhã, esta linha de desvalorização e ocultação da acção, proposta e projecto do PCP ou de recorrente preconceito opinativo. Tudo em caldo de impunidade e de ausência de escrúpulos para denegrir e difamar, com aquela «coragem» dos que sabem agredir sem risco de réplica. Da notícia ao comentário, do «entretenimento» à «investigação» é fartar vilanagem. Vale a pena, tão só por ilustração da torrente dominante, olhar para um espaço que dando pelo nome de «governo sombra» é expressão viva dessa face sombria que tomou conta de um certo tipo de jornalismo que entre a conversa fútil, comentários bacocos e anotações reaccionárias se entretêm, a despropósito de tudo e de nada, a animar o preconceito anticomunista. Não há tema, graçola ou observação que não desemboque no PCP. Seja o que a propósito das beatas do PAN desague na Coreia, seja na indecorosa insinuação para, invocando o que Ruben de Carvalho foi enquanto militante comunista, o contrapor ao PCP.