Recuará?!...
O Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, na sua barrigal figura fez novas ameaças, com um pormenor: desta vez copiou Colin Powell, o seu homólogo na administração George W. Bush, que em 2003 andou pela Europa a mostrar uns desenhos animados que, segundo o homem, provavam a produção de armas de destruição maciça pelo regime de Saddam Hussein, no Iraque.
Desta vez, o secretário Pompeo quis responsabilizar o Irão pelo ataque a dois petroleiros que atravessavam o Golfo Pérsico, apresentando um vídeo manhoso e indecifrável de uma pequena embarcação encostada algures ao casco de um navio e garantiu ser esta embarcação não apenas iraniana, mas também estar atolada de «guardas da revolução» disfarçados (só não disse de quê, mas certamente de «terroristas»), encostados ao navio para «retirar minas» que não tinham explodido, arrumando a questão das explosões nos dois petroleiros como provocadas por «minas aquáticas» colocadas pelo Irão.
O facto de os comandantes e as tripulações dos dois petroleiros alvejados terem garantido, entretanto, que foram atingidos por torpedos, não perturbou a acusação peremptória de Pompeo: foram as minas iranianas e está o caso arrumado.
Certamente recordados da monumental mentira que a administração Bush urdiu com as «armas de destruição maciça» que ninguém viu, nem mesmo depois da invasão do Iraque e da destruição do governo de Saddam Hussein, desta vez os «aliados ocidentais» estão relutantes em aceitar o que pode ser um novo embuste à Colin Powell, impingido para desencadear uma guerra contra o Iraque para os EUA se apropriarem do seu petróleo. O apelo à calma dos aliados dos EUA é o caso literal do «gato escaldado de água fria tem medo». Até o Reino Unido, no seu actual desgoverno, disse admitir a tese dos EUA sobre os petroleiros, mas foi informando que irá promover um inquérito próprio ao caso.
É claro que do lado da Arábia Saudita, o inimigo figadal do Irão xiita, já veio o actual príncipe, que manda assassinar jornalistas nas embaixadas do país, dizer que, embora «queira a paz», não hesitará «em atacar» caso se verifique uma «ameaça à economia do país», ao que se juntou o sionista de Israel, Netanyahu, a arreganhar os dentes contra a «ameaça iraniana».
Como se vê, o teatro para um conflito regional está montado, com perigosíssimas ameaças à segurança de todo o mundo.
Entretanto, numa nota que passou em parcos noticiários, o presidente do parlamento iraniano acusou frontalmente os EUA de estarem por detrás dos ataques aos petroleiros, confirmando a cabala para um conflito regional que os aliados dos EUA temem e com razão.
Aguarda-se que o imperialismo recue a tempo. É que se não recuar, o problema será maior que a invasão do Iraque...