Recuará?!...

Henrique Custódio

O Se­cre­tário de Es­tado dos EUA, Mike Pompeo, na sua bar­rigal fi­gura fez novas ame­aças, com um por­menor: desta vez co­piou Colin Powell, o seu ho­mó­logo na ad­mi­nis­tração Ge­orge W. Bush, que em 2003 andou pela Eu­ropa a mos­trar uns de­se­nhos ani­mados que, se­gundo o homem, pro­vavam a pro­dução de armas de des­truição ma­ciça pelo re­gime de Saddam Hus­sein, no Iraque.

Desta vez, o se­cre­tário Pompeo quis res­pon­sa­bi­lizar o Irão pelo ataque a dois pe­tro­leiros que atra­ves­savam o Golfo Pér­sico, apre­sen­tando um vídeo ma­nhoso e in­de­ci­frável de uma pe­quena em­bar­cação en­cos­tada al­gures ao casco de um navio e ga­rantiu ser esta em­bar­cação não apenas ira­niana, mas também estar ato­lada de «guardas da re­vo­lução» dis­far­çados (só não disse de quê, mas cer­ta­mente de «ter­ro­ristas»), en­cos­tados ao navio para «re­tirar minas» que não ti­nham ex­plo­dido, ar­ru­mando a questão das ex­plo­sões nos dois pe­tro­leiros como pro­vo­cadas por «minas aquá­ticas» co­lo­cadas pelo Irão.

O facto de os co­man­dantes e as tri­pu­la­ções dos dois pe­tro­leiros al­ve­jados terem ga­ran­tido, en­tre­tanto, que foram atin­gidos por tor­pedos, não per­turbou a acu­sação pe­remp­tória de Pompeo: foram as minas ira­ni­anas e está o caso ar­ru­mado.

Cer­ta­mente re­cor­dados da mo­nu­mental men­tira que a ad­mi­nis­tração Bush urdiu com as «armas de des­truição ma­ciça» que nin­guém viu, nem mesmo de­pois da in­vasão do Iraque e da des­truição do go­verno de Saddam Hus­sein, desta vez os «ali­ados oci­den­tais» estão re­lu­tantes em aceitar o que pode ser um novo em­buste à Colin Powell, im­pin­gido para de­sen­ca­dear uma guerra contra o Iraque para os EUA se apro­pri­arem do seu pe­tróleo. O apelo à calma dos ali­ados dos EUA é o caso li­teral do «gato es­cal­dado de água fria tem medo». Até o Reino Unido, no seu ac­tual des­go­verno, disse ad­mitir a tese dos EUA sobre os pe­tro­leiros, mas foi in­for­mando que irá pro­mover um inqué­rito pró­prio ao caso.

É claro que do lado da Arábia Sau­dita, o ini­migo fi­gadal do Irão xiita, já veio o ac­tual prín­cipe, que manda as­sas­sinar jor­na­listas nas em­bai­xadas do país, dizer que, em­bora «queira a paz», não he­si­tará «em atacar» caso se ve­ri­fique uma «ameaça à eco­nomia do país», ao que se juntou o si­o­nista de Is­rael, Ne­tanyahu, a ar­re­ga­nhar os dentes contra a «ameaça ira­niana».

Como se vê, o te­atro para um con­flito re­gi­onal está mon­tado, com pe­ri­go­sís­simas ame­aças à se­gu­rança de todo o mundo.

En­tre­tanto, numa nota que passou em parcos no­ti­ciá­rios, o pre­si­dente do par­la­mento ira­niano acusou fron­tal­mente os EUA de es­tarem por de­trás dos ata­ques aos pe­tro­leiros, con­fir­mando a ca­bala para um con­flito re­gi­onal que os ali­ados dos EUA temem e com razão.

Aguarda-se que o im­pe­ri­a­lismo recue a tempo. É que se não re­cuar, o pro­blema será maior que a in­vasão do Iraque...




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