Os divisionistas
As manobras de divisão promovidas pelo capital procuram colocar trabalhadores da produção directa contra os indirectos, que supostamente ganhariam à conta do que os primeiros produziam; os mais jovens, sem direitos, contra os mais velhos, cheios de «regalias e privilégios»; os trabalhadores com vínculo precário, com menores salários e com a vida pendente do despedimento, dos que têm vínculo efectivo; as mulheres trabalhadoras contra os homens trabalhadores, como se estes não fossem também explorados; os nacionais contra os migrantes, que aceitam trabalhar por qualquer preço. A que mais rende às forças do retrocesso é a que procura opor os do sector público e do sector privado.
Nesta operação, de grande fôlego e com resultados, o capital procura fomentar o medo, a desconfiança relativamente ao outro, a inveja, alimentando sentimentos de injustiça, mas dirigindo-os contra quem não está na sua origem, para desviar as atenções de quem é responsável por ela.
Mas o capital não está sozinho. Alimenta e alimenta-se dos que, com ares de esquerda e de modernismo, promovem a luta à parte, em conflito e confronto directo com os seus iguais. É assim nas chamadas marchas da precariedade com a mobilização dos trabalhadores com vínculos precários à margem e mesmo contra os seus colegas de trabalho. É assim na chamada greve feminista, colocando as mulheres contra os homens, deixando descansados os exploradores sejam homens ou mulheres.
Este domingo, assistimos a mais uma aula de divisionismo. Com a televisão ao seu dispor, sem contraditório, ao comentador foi só facturar, numa campanha execrável contra os «funcionários públicos». Tão indignado se mostra por eles trabalharem 35horas semanais, que seguramente estará disponível para apoiar a proposta do PCP de estender esse horário a todos os trabalhadores. Sem perda de remuneração.