CTT e ideologias
A realidade incontornável dos CTT é a de uma gestão privada que tem destruído o serviço público de correios e tem alimentado o capital accionista com a venda de património e outras formas de descapitalização da empresa. É apertado pelo peso desta realidade, e por uma crescente reivindicação pública pela renacionalização da empresa, que o Administrador Lacerda afirma, querendo desvalorizar, que a renacionalização dos CTT é uma «questão ideológica».
E é. Tal como foi a privatização. Ambas, nacionalização e privatização, são consequência lógica da ideologia de classes com interesses antagónicos, e por isso, apesar de lógicas e consequentes com a respectiva ideologia, são também absolutamente antagónicas entre si. Quem perdeu com a privatização? O povo e os trabalhadores! Quem ganhou? Os capitalistas e seus lacaios!
É por isso que os Lacerdas deste mundo tentam, desde sempre, esconder a ideologia da sua classe, da classe dos que vivem de deterem a propriedade dos meios de produção, simulando que a sua ideologia não é uma ideologia, é a ordem natural das coisas. Mas não é. É uma ideologia, a deles, que serve os interesses deles, que legitima e sustém o poder deles.
A outra ideologia, antagónica à deles, é a nossa. O cada vez mais numeroso proletariado precisa de ganhar consciência de si próprio, da luta de classes em que está envolvido e da sua própria ideologia, para voltar a aspirar a ser classe dominante e a emancipar-se.
E é na realidade concreta, na crescente exploração dos trabalhadores, na destruição dos serviços públicos, na sucessão de guerras e crimes do imperialismo, numa sociedade desigual e que crescentemente desaproveita o seu potencial, que os comunistas assentam a alavanca que vai mudar o mundo: a ideologia comunista.