CIA assalta embaixada norte-coreana em Madrid

CIA O Centro Nacional de Inteligência (CNI) espanhol, que investiga o assalto à embaixada norte-coreana em Madrid, no dia 22 de Fevereiro, implicou a Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA no caso.

Pela forma como foi executada, a invasão foi muito mais do que um assalto

O caso foi investigado e noticiado por jornais espanhóis, como o El País, de Madrid, e o La Vanguardia, de Barcelona, e divulgado também por outros meios de comunicação.

Pelo menos dois dos 10 assaltantes, que agrediram e interrogaram os oito norte-coreanos que se encontravam na representação diplomática, foram identificados e têm vínculos com os serviços secretos dos EUA. As autoridades espanholas questionaram a CIA sobre o seu envolvimento no caso e a resposta foi negativa mas «pouco convincente».

O comando procurava obter informações sobre o antigo embaixador da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) em Madrid, Kim Hyok Chol, que chefiou a delegação do seu país nas conversações com os EUA que antecederam a cimeira em Hanói, a 27 e 28 de Fevereiro, entre o líder norte-coreano Kim Jong-un e o presidente norte-americano Donald Trump.

O assalto à embaixada norte-coreana pode provocar fricções diplomáticas entre Madrid e Washington. Fontes governamentais admitiram que, se a autoria da CIA se confirmar, seria uma acto «inadmissível» por parte de um país aliado. Não só os serviços de inteligência estado-unidenses teriam operado em solo espanhol sem autorização e sem informar as autoridades, como teriam violado convenções internacionais que protegem as representações diplomáticas.

«Operação militar»

O assalto à embaixada da RPDC foi «especialmente violento». Dez homens, com as armas supostamente dissimuladas, irromperam ao princípio da tarde nas instalações diplomáticas, situadas no bairro madrileno de Aravaca. Os oito norte-coreanos que se encontravam no interior da embaixada foram vendados, amarrados, agredidos e interrogados. Os gritos de uma mulher, que conseguiu escapar por uma janela do segundo piso, alertaram um vizinho, que avisou a polícia.

Um carro-patrulha aproximou-se da embaixada. Um homem «e aspecto oriental», escreve o El País, abriu a porta aos agentes e disse-lhes que tudo estava em ordem. Quando a polícia ainda estava nas imediações, duas viaturas saíram a toda a velocidade da embaixada – eram carros diplomáticos que os assaltantes usaram para fugir e abandonaram depois numa rua próxima.

No interior da embaixada da RPDC, a polícia encontrou os oito norte-coreanos amarrados, sequestrados durante horas. Dois deles tiveram que receber cuidados médicos.

O CNI descartou que o assalto tenha sido obra de um bando de delinquentes comuns. A acção foi planificada como uma operação militar e os assaltantes sabiam o que procurar: nada de dinheiro ou jóias, apenas ficheiros informáticos e telefones móveis, que roubaram.

De acordo com o El País, os serviços de informação espanhóis apontam a atribuem a autoria do assalto e sequestro de diplomatas norte-coreanos à CIA, em «provável cooperação» com a sua congénere da Coreia do Sul. Dão como certo que o objectivo da operação criminosa foi obter informações sobre Kim Hyok Chol, que foi embaixador da RPDC em Espanha entre 2014 e 2017 e que esteve presente em finais de Fevereiro em Hanói, na delegação do líder norte-coreano.




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